UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2021
Mulher, 70 anos, é atendida na emergência com queixa de dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal e vômitos. Não apresenta qualquer sintoma sugestivo de hérnia da parede abdominal. Refere que na semana anterior apresentou icterícia, colúria e acolia fecal, que regrediram espontaneamente. A tomografia computadorizada mostra obstrução no íleo distal a alguns centímetros da válvula ileocecal. Além disso, constata-se a presença de aerobilia. Com base nessas informações, a principal hipótese diagnóstica é de
Obstrução intestinal distal + aerobilia + história de icterícia prévia → Íleo Biliar.
O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase, onde um cálculo biliar migra para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica, causando obstrução. A tríade clássica inclui obstrução intestinal, aerobilia (ar nas vias biliares) e um cálculo ectópico no intestino.
O íleo biliar é uma causa incomum de obstrução do intestino delgado, representando cerca de 1-4% dos casos de obstrução intestinal, mas com maior incidência em idosos. É uma complicação da colelitíase, onde um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou cólon), formando uma fístula colecistoentérica e migrando para o lúmen intestinal, onde causa impactação. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica, mais comumente colecistoduodenal, permitindo a passagem do cálculo. O quadro clínico é de obstrução intestinal, com dor abdominal tipo cólica, distensão e vômitos. A história de icterícia, colúria e acolia fecal prévia e transitória sugere um episódio de obstrução biliar que pode ter precedido a formação da fístula. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que revela a tríade de Rigler: obstrução intestinal, aerobilia (ar nas vias biliares) e o cálculo biliar ectópico no intestino. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico. A abordagem mais comum é a enterolitotomia, que consiste na remoção do cálculo através de uma incisão no intestino. A reparação da fístula e a colecistectomia podem ser realizadas no mesmo tempo cirúrgico, especialmente em pacientes jovens e estáveis, ou em um segundo momento, em pacientes idosos ou com comorbidades, para minimizar o risco cirúrgico. O reconhecimento precoce é fundamental para um bom prognóstico.
Os sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas e vômitos, característicos de obstrução intestinal. Pode haver história prévia de dor em hipocôndrio direito ou icterícia transitória.
A aerobilia (presença de ar nas vias biliares) é um achado radiológico chave no íleo biliar, indicando a formação de uma fístula entre o trato biliar e o trato gastrointestinal, por onde o cálculo migrou.
O tratamento definitivo é cirúrgico, envolvendo a enterotomia para remoção do cálculo obstrutivo (enterolitotomia). A reparação da fístula e colecistectomia podem ser realizadas no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento.
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