UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
75 anos de idade, apresenta dor abdominal em cólica de forte intensidade e com 36 horas de evolução, de localização difusa, acompanhado de náuseas e vômitos. Nas últimas 24 horas, nega eliminação de gases e fezes. Exame físico: REG, descorada, FC 90 bpm, PA 150 x 95 mm Hg, temperatura 37,5 °C; abdômen globoso, distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, hipertimpanismo difuso e doloroso à palpação, mas sem sinais de irritação peritoneal. A sequência do Rx de abdome em três posições evidenciou estômago e alças intestinal difusamente dilatadas, níveis hidroaéreos e pneumocolangiograma presente. Qual é o diagnóstico mais provável?
Íleo biliar = Obstrução intestinal + pneumobilia + cálculo ectópico em idoso com dor abdominal e vômitos.
O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, geralmente em idosos, causada pela migração de um cálculo biliar grande através de uma fístula colecistoentérica. A tríade clássica no raio-X (pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico) é fundamental para o diagnóstico.
O íleo biliar é uma forma rara de obstrução intestinal mecânica, representando cerca de 1 a 4% dos casos, mas com maior incidência em pacientes idosos, especialmente mulheres. É uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento rápidos devido ao risco de complicações e alta morbimortalidade, sendo um importante diagnóstico diferencial no abdome agudo obstrutivo. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica, geralmente entre a vesícula biliar e o duodeno, permitindo a passagem de um cálculo biliar grande (>2,5 cm) para o lúmen intestinal. Este cálculo migra e impacta em um segmento mais estreito do intestino delgado, mais comumente no íleo terminal, causando obstrução. O diagnóstico é baseado na clínica de obstrução intestinal e, crucialmente, nos achados radiológicos da tríade de Rigler: pneumobilia, sinais de obstrução intestinal e visualização do cálculo ectópico. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico e consiste na enterolitotomia (remoção do cálculo) e, em alguns casos, no reparo da fístula e colecistectomia, embora a última possa ser postergada para um segundo momento. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e da condição clínica do paciente, sendo fundamental a suspeita em idosos com obstrução intestinal e pneumobilia.
Os sinais radiológicos clássicos do íleo biliar incluem a tríade de Rigler: pneumobilia (ar nas vias biliares), obstrução intestinal (alças dilatadas e níveis hidroaéreos) e a visualização de um cálculo biliar ectópico, geralmente na fossa ilíaca direita.
A fístula colecistoentérica é a via pela qual um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou jejuno), migrando para o lúmen intestinal. Essa migração permite que o cálculo cause obstrução em um ponto mais distal, caracterizando o íleo biliar.
O íleo biliar afeta principalmente idosos, especialmente mulheres, devido à maior prevalência de colelitíase crônica e à maior probabilidade de desenvolvimento de fístulas bilioentéricas com o envelhecimento. A morbidade e mortalidade são elevadas nessa população.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo