Íleo Biliar: Diagnóstico e Sinais Radiológicos Chave

Santa Casa de Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Paciente feminina, 87 anos, procura pronto socorro com quadro de dor abdominal tipo cólica, de início há 2 dias, associada a vômitos e distensão abdominal. Nega febre. Ao exame físico: regular estado geral, desidratada, corada, anictérica, afebril. Exame físico cardiopulmonar normal. Abdome com ruídos hidroaéros reduzidos, distendido, sem sinais de peritonite com dor à palpação difusa. Submetido à radiografia de abdome agudo que revelou níveis hidroaéreos em todo intestino delgado com aspecto de “empilhamento de moedas”, aerobilia e imagem radiopaca em íleo terminal. O provável diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Adenocarcinoma de cólon esquerdo.
  2. B) Doença diverticular com obstrução intestinal.
  3. C) Íleo Biliar.
  4. D) Úlcera gástrica perfurada.

Pérola Clínica

Íleo biliar = obstrução intestinal por cálculo biliar + aerobilia + cálculo ectópico em radiografia.

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, mais comum em idosos, causada pela migração de um cálculo biliar para o intestino delgado através de uma fístula colecistoentérica. A tríade radiológica de Rigler (pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico) é diagnóstica.

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma complicação rara, mas grave, da doença calculosa biliar, caracterizada por uma obstrução mecânica do intestino delgado causada pela impactação de um cálculo biliar. É mais comum em pacientes idosos, especialmente mulheres, e representa um desafio diagnóstico devido à sua apresentação inespecífica e à idade avançada dos pacientes, que frequentemente possuem comorbidades. A compreensão da fisiopatologia é crucial para o diagnóstico precoce. A condição se desenvolve quando um cálculo biliar grande (geralmente > 2,5 cm) causa inflamação e necrose da parede da vesícula biliar, levando à formação de uma fístula colecistoentérica, mais comumente com o duodeno. Através dessa fístula, o cálculo migra para o lúmen intestinal e, devido ao seu tamanho, impacta em algum ponto do intestino delgado, sendo o íleo terminal o local mais estreito e, portanto, o mais comum para a obstrução. A presença de ar nas vias biliares (aerobilia) é um sinal patognomônico da fístula. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade radiológica de Rigler na radiografia simples de abdome: pneumobilia, sinais de obstrução intestinal e visualização do cálculo ectópico. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, localizar o cálculo e a fístula. O tratamento é cirúrgico, com enterolitotomia para remover o cálculo e aliviar a obstrução. A colecistectomia e fechamento da fístula podem ser realizados no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento, dependendo da condição do paciente. A mortalidade é significativa, especialmente em idosos, ressaltando a importância do reconhecimento rápido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais radiológicos clássicos do íleo biliar?

A tríade de Rigler é clássica: pneumobilia (aerobilia), sinais de obstrução intestinal (distensão de alças, níveis hidroaéreos) e a visualização de um cálculo biliar ectópico, geralmente no íleo terminal.

Como ocorre o íleo biliar?

O íleo biliar ocorre quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou cólon), formando uma fístula colecistoentérica. O cálculo migra e causa obstrução mecânica no intestino delgado, mais comumente no íleo terminal.

Qual o tratamento para o íleo biliar?

O tratamento é cirúrgico, envolvendo a enterotomia para remoção do cálculo (enterolitotomia) e, em alguns casos, a colecistectomia e fechamento da fístula, embora esta última possa ser realizada em um segundo tempo.

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