UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Mulher de 65 anos de idade, com antecedente de colecistolitíase, apresentou-se com quadro de cólica abdominal difusa, náusea e vômito, além de distensão e timpanismo abdominal. O Raio-X simples de abdome mostrou aerobilia e múltiplos níveis hidroaéreos. O estudo tomográfico evidenciou aerobilia e dilatação de alças de intestino delgado até próximo à válvula íleo-cecal, onde se observou um cálculo biliar na luz intestinal.Qual é o tipo de abdome agudo nesse caso?Qual nome se aplica à doença dessa paciente?
Íleo biliar: obstrução intestinal por cálculo biliar + aerobilia + níveis hidroaéreos.
O íleo biliar é uma complicação rara da colecistolitíase, onde um cálculo migra para o intestino através de uma fístula colecistoentérica, causando obstrução. A tríade radiológica de Rigler (aerobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico) é diagnóstica.
O íleo biliar é uma forma rara de obstrução intestinal mecânica causada pela impactação de um cálculo biliar na luz do intestino, geralmente no íleo terminal. Embora incomum, é uma condição grave que representa cerca de 1-4% das obstruções de intestino delgado e afeta predominantemente idosos, com maior morbimortalidade devido ao diagnóstico tardio e comorbidades associadas. A compreensão de sua fisiopatologia e apresentação clínica é crucial para residentes. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica (mais comum colecistoduodenal) devido à inflamação crônica da vesícula biliar. O cálculo migra através dessa fístula e causa obstrução em um ponto de menor calibre, como a válvula íleo-cecal. O diagnóstico é guiado pela tríade clínica (dor abdominal, náuseas/vômitos, distensão) e, principalmente, por exames de imagem, como o Raio-X simples de abdome (aerobilia, níveis hidroaéreos) e a tomografia computadorizada, que confirma a presença do cálculo ectópico e a fístula. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico, visando a remoção do cálculo (enterolitotomia) e, em alguns casos, a correção da fístula e colecistectomia, embora esta última possa ser realizada em um segundo tempo. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção, sendo essencial o reconhecimento precoce para reduzir complicações como isquemia intestinal e perfuração.
Os sinais clássicos incluem aerobilia (ar nas vias biliares), múltiplos níveis hidroaéreos no intestino delgado e a visualização de um cálculo biliar ectópico na luz intestinal, formando a Tríade de Rigler.
O íleo biliar ocorre quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou jejuno), formando uma fístula colecistoentérica. O cálculo então migra e impacta em um segmento mais estreito do intestino, causando obstrução.
A presença de aerobilia no Raio-X ou TC é um forte indicativo de íleo biliar, diferenciando-o de outras causas mecânicas de obstrução. A história de colecistolitíase também é um fator importante.
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