Íleo Biliar: Diagnóstico e Sinais Radiográficos Chave

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Senhora de 78 anos de idade vai ao pronto-socorro com dor abdominal há 3 dias. Antecedentes: diabetes e revascularização do miocárdio. Tem história de crises de dor epigástrica em cólica e de febre. Está desidratada e taquicárdica. A pressão arterial é normal. O abdome está distendido, com ruídos hidroaéreos aumentados. Não tem nenhuma cicatriz de cirurgia abdominal. No toque retal, tem fezes na ampola. Fez a radiografia de abdome ilustrada a seguir Entre as opções diagnósticas seguintes, a mais provável para este paciente é

Alternativas

  1. A) apendicite aguda.
  2. B) litíase intravesical.
  3. C) inconclusiva, requer tomografia de abdome total.
  4. D) íleo biliar

Pérola Clínica

Idosa com dor abdominal, distensão, ruídos aumentados + pneumobilia + cálculo ectópico em radiografia = Íleo Biliar.

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, mais comum em idosos, que ocorre quando um cálculo biliar migra para o intestino através de uma fístula colecistoentérica, causando obstrução. A tríade de Rigler (pneumobilia, obstrução intestinal e cálculo ectópico) na radiografia é diagnóstica.

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase, responsável por cerca de 1-4% das obstruções intestinais mecânicas, mas com alta mortalidade em idosos. Ocorre quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula e do trato gastrointestinal, formando uma fístula (geralmente colecistoduodenal), permitindo a passagem do cálculo para o lúmen intestinal, onde causa obstrução, mais comumente no íleo terminal. A apresentação clínica é de obstrução intestinal, com dor abdominal em cólica, distensão, náuseas e vômitos, frequentemente em pacientes idosos com histórico de colelitíase. A febre pode indicar colecistite ou colangite associada. O diagnóstico é frequentemente desafiador. A radiografia simples de abdome pode revelar a clássica Tríade de Rigler: pneumobilia (ar nas vias biliares), sinais de obstrução intestinal (alças dilatadas, níveis hidroaéreos) e a visualização do cálculo biliar ectópico. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, localizar o ponto de obstrução e identificar a fístula. O tratamento é cirúrgico, envolvendo a enterolitotomia para remover o cálculo e, em alguns casos, a colecistectomia e fechamento da fístula.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da Tríade de Rigler no íleo biliar?

A Tríade de Rigler consiste em pneumobilia (ar nas vias biliares), sinais de obstrução intestinal (alças dilatadas, níveis hidroaéreos) e a visualização de um cálculo biliar ectópico no intestino.

Como um cálculo biliar causa obstrução intestinal no íleo biliar?

Um cálculo biliar grande pode erodir a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou jejuno), formando uma fístula colecistoentérica. O cálculo migra para o lúmen intestinal e causa obstrução, mais comumente no íleo terminal.

Qual a população mais afetada pelo íleo biliar e por quê?

O íleo biliar afeta predominantemente idosos, especialmente mulheres, devido à maior prevalência de colelitíase crônica e à fragilidade tecidual que favorece a formação de fístulas.

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