Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2023
Mulher, 67 anos procurou pronto socorro por constipação há 10 dias, náuseas e vômitos. História de atendimento prévio há 20 dias devido dor em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, porém com resolução espontânea. Submetida a tomografia de abdome com imagem sugestiva de aerobilia intra-hepática. A hipótese diagnóstica mais provável para o quadro atual é:
Idoso + obstrução intestinal + aerobilia + história de colecistite → Íleo biliar.
O íleo biliar é uma complicação rara da colelitíase, caracterizada pela obstrução mecânica do intestino delgado por um cálculo biliar que migra através de uma fístula colecistoentérica. A aerobilia (ar nas vias biliares) é um achado radiológico chave que sugere a presença dessa fístula.
O íleo biliar é uma complicação incomum da doença biliar, representando uma causa de obstrução intestinal mecânica, predominantemente em idosos. É crucial reconhecer essa condição devido à sua morbimortalidade significativa se não diagnosticada e tratada precocemente. A história de dor em hipocôndrio direito prévia, sugestiva de colecistite, é um dado importante. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula entre a vesícula biliar e o trato gastrointestinal (mais comumente duodeno), permitindo que um cálculo biliar grande migre e cause obstrução, geralmente no íleo terminal. A presença de aerobilia na tomografia computadorizada é um achado diagnóstico quase patognomônico, indicando a comunicação bilioentérica. O diagnóstico é baseado na clínica de obstrução intestinal em paciente idoso, associado a achados radiológicos como a tríade de Rigler. O tratamento é cirúrgico, com enterolitotomia para remover o cálculo e resolver a obstrução. A colecistectomia e o fechamento da fístula podem ser realizados no mesmo tempo cirúrgico ou em um segundo momento, dependendo da estabilidade do paciente.
A tríade de Rigler consiste em obstrução intestinal, aerobilia (ar nas vias biliares) e visualização de um cálculo biliar ectópico (geralmente no intestino delgado) em exames de imagem.
A fístula colecistoentérica geralmente se forma devido à inflamação crônica e necrose da parede da vesícula biliar (colecistite aguda ou crônica), que leva à erosão e comunicação com o trato gastrointestinal adjacente, permitindo a passagem do cálculo.
O tratamento do íleo biliar é cirúrgico, envolvendo a enterotomia para remoção do cálculo obstrutivo (enterolitotomia) e, em um segundo tempo ou no mesmo ato, a colecistectomia e fechamento da fístula, dependendo das condições do paciente.
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