Íleo Biliar: Diagnóstico e Sinais Radiológicos Chave

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 70 anos apresenta dor tipo cólica em epigástrio, com irradiação para hipocôndrio e região lombar direita, em crises. Em certo momento, apresenta dor tipo cólica em abdômen com vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. O raio X de tórax e abdômen apresenta distensão de delgado com níveis hidroaéreos e aerobilia.Trata-se de um caso de obstrução intestinal causada por:

Alternativas

  1. A) Bolo de áscaris.
  2. B) Íleo biliar.
  3. C) Invaginação intestinal.
  4. D) Trombose mesentérica.
  5. E) Apendicite aguda.

Pérola Clínica

Idoso com obstrução intestinal + aerobilia + cálculo ectópico no RX = Íleo biliar.

Resumo-Chave

O íleo biliar é uma causa rara de obstrução intestinal mecânica, geralmente em idosos, decorrente da migração de um cálculo biliar grande para o intestino via fístula colecistoentérica. A tríade clássica no raio X de abdômen é distensão de delgado, níveis hidroaéreos e aerobilia (ar na via biliar).

Contexto Educacional

O íleo biliar é uma complicação rara, mas grave, da colelitíase, caracterizada pela obstrução mecânica do intestino delgado por um cálculo biliar. Afeta predominantemente idosos, com maior incidência em mulheres, e está associado a alta morbidade e mortalidade se não diagnosticado e tratado precocemente. É um diagnóstico importante para residentes, especialmente em emergências cirúrgicas abdominais. A fisiopatologia envolve a formação de uma fístula colecistoentérica, geralmente entre a vesícula biliar e o duodeno, devido à inflamação crônica e erosão causada por um cálculo grande. O cálculo migra para o intestino e impacta, mais comumente, no íleo terminal, causando obstrução. A apresentação clínica é de obstrução intestinal, com dor abdominal tipo cólica, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e confirmado por exames de imagem, como raio X de abdômen (aerobilia, distensão de alças, cálculo ectópico) e tomografia computadorizada, que é o método mais sensível. O tratamento do íleo biliar é cirúrgico, visando a remoção do cálculo obstrutivo (enterolitotomia) e, em alguns casos, a correção da fístula e colecistectomia, embora esta última possa ser adiada para um segundo momento devido ao estado clínico do paciente. O reconhecimento precoce dos sinais radiológicos, como a aerobilia, é crucial para um manejo adequado e melhora do prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no raio X de abdômen que sugerem íleo biliar?

Os achados clássicos no raio X de abdômen que sugerem íleo biliar são a tríade de Rigler: distensão de alças de delgado com níveis hidroaéreos, aerobilia (ar na via biliar) e a presença de um cálculo biliar ectópico, geralmente na fossa ilíaca direita.

Como se forma o íleo biliar?

O íleo biliar se forma quando um cálculo biliar grande erode a parede da vesícula biliar e do intestino (geralmente duodeno ou jejuno), criando uma fístula colecistoentérica. O cálculo migra para o lúmen intestinal e causa obstrução mecânica, mais comumente no íleo terminal.

Qual a diferença entre íleo biliar e síndrome de Bouveret?

O íleo biliar refere-se à obstrução intestinal por um cálculo biliar em qualquer parte do intestino delgado. A síndrome de Bouveret é um tipo específico de íleo biliar onde o cálculo biliar causa obstrução na saída gástrica ou duodeno proximal, geralmente através de uma fístula colecistoduodenal.

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