Íleo Adinâmico Pós-Operatório: Causas e Manejo

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Com relação ao íleo adinâmico pós-operatório todas estão corretas EXCETO:

Alternativas

  1. A) A duração da cirurgia é o principal fator determinante do íleo prolongado pós-operatório.
  2. B) A presença de evacuação não é necessária para considerarmos que o doente saiu do íleo.
  3. C) Hipocloremia, hipomagnesemia e hipocalemia são distúrbios eletrolíticos que predispõem ao íleo pós-operatório prolongado.
  4. D) A metoclopramida e a eritromicina podem ser utilizadas no tratamento do íleo prolongado pelo seu efeito pró-cinético.

Pérola Clínica

Íleo pós-op: duração cirurgia NÃO é o único fator. Retorno da função = flatos/tolerância oral, NÃO só evacuação.

Resumo-Chave

O íleo adinâmico pós-operatório é multifatorial, não dependendo apenas da duração da cirurgia. A resolução é marcada pelo retorno da motilidade intestinal (flatulência, ruídos hidroaéreos, tolerância oral), não necessariamente pela evacuação. Distúrbios eletrolíticos e uso de procinéticos são relevantes no manejo.

Contexto Educacional

O íleo adinâmico pós-operatório é uma complicação comum após cirurgias abdominais, caracterizada pela inibição temporária da motilidade gastrointestinal. É um tópico relevante para a prática cirúrgica e para questões de residência. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo a manipulação intestinal durante a cirurgia, a resposta inflamatória sistêmica, a ativação do sistema nervoso simpático, o uso de opioides para analgesia e distúrbios eletrolíticos. Embora a duração da cirurgia seja um fator contribuinte, não é o único nem o principal determinante do íleo prolongado. Fatores como a extensão da manipulação intestinal, a presença de sepse, a hipocalemia, hipomagnesemia e hipocloremia são igualmente importantes. O diagnóstico é clínico, com distensão abdominal, náuseas, vômitos e ausência de eliminação de flatos ou fezes. A ausculta abdominal revela ruídos hidroaéreos diminuídos ou ausentes. O manejo do íleo adinâmico é primariamente de suporte, incluindo jejum, hidratação intravenosa e correção de distúrbios eletrolíticos. A resolução do íleo é caracterizada pelo retorno da função intestinal, evidenciado pela eliminação de flatos e tolerância à dieta oral, e não necessariamente pela primeira evacuação. Agentes procinéticos como a metoclopramida e a eritromicina podem ser utilizados em casos de íleo prolongado para estimular a motilidade gastrointestinal, embora sua eficácia seja variável e dependa da causa subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores que contribuem para o íleo adinâmico pós-operatório prolongado?

Além da duração da cirurgia, fatores como a extensão da manipulação intestinal, a resposta inflamatória sistêmica, o uso de opioides, distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia, hipocloremia) e a presença de sepse ou peritonite contribuem significativamente para o íleo prolongado.

Quais são os critérios para considerar que o íleo pós-operatório foi resolvido?

A resolução do íleo é indicada pelo retorno da função intestinal, que inclui a eliminação de flatos, a presença de ruídos hidroaéreos e a tolerância à dieta oral. A evacuação não é um critério obrigatório para considerar o íleo resolvido.

Quais medicamentos procinéticos podem ser utilizados no tratamento do íleo prolongado?

Medicamentos como a metoclopramida, que atua como antagonista dopaminérgico e agonista serotoninérgico, e a eritromicina, um agonista da motilina, podem ser utilizados para estimular a motilidade gastrointestinal e auxiliar na resolução do íleo prolongado.

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