HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Mulher, de 65 anos de idade, está internada no 2º dia de pós-operatório de uma colectomia direita e confecção de colostomia realizada para o tratamento de neoplasia de íleo distal. Foi feita uma tentativa de início de dieta oral, que não teve sucesso por apresentar vômitos persistentes. Assim, foi feita passagem de sonda nasogástrica em aspiração, com débito de 1300mL em 24 horas. O exame físico deste momento evidenciou frequência cardíaca de 105bpm, pressão arterial de 142x85mmHg, frequência respiratória de 19irpm e saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente. O abdome é globoso por adiposidade, flácido e doloroso à palpação superficial da cicatriz cirúrgica. A colostomia à Mikulicz apresenta gás, mas ainda não há débito. Visto também um dreno tubo-laminar em flanco esquerdo, sem secreção. Os exames laboratoriais evidenciaram: Hb 9,5g/dL; leucograma 13.500/mm³, sem desvio para a esquerda; Plq 400.000/mm³; Ur 75mg/dL; Cr 1,3mg/dL; Na 140mEq/L e K 3,1mEq/L. Qual é o diagnóstico mais provável?
Íleo adinâmico pós-op: vômitos, distensão, SNG com alto débito, ausência de eliminação de flatos/fezes.
O íleo adinâmico é uma condição comum após cirurgias abdominais, especialmente as intestinais. Caracteriza-se pela dismotilidade intestinal, levando a acúmulo de líquidos e gases, vômitos e distensão. A hipocalemia pode agravar o quadro.
O íleo adinâmico pós-operatório é uma disfunção motora intestinal comum após cirurgias abdominais, especialmente aquelas que manipulam o trato gastrointestinal. Sua incidência varia, mas é uma das principais causas de prolongamento da internação hospitalar. É fundamental para residentes reconhecerem precocemente essa condição para evitar complicações. A fisiopatologia envolve uma resposta inflamatória à cirurgia, ativação do sistema nervoso simpático e liberação de mediadores inflamatórios que inibem a motilidade intestinal. Clinicamente, manifesta-se por náuseas, vômitos, distensão abdominal, ausência de flatos e fezes, e pode levar a desequilíbrios hidroeletrolíticos, como a hipocalemia, que por sua vez agrava o quadro. O diagnóstico é clínico, com suporte de exames de imagem que descartam obstrução mecânica. O tratamento é primariamente de suporte, incluindo jejum, descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção de eletrólitos. A mobilização precoce, analgesia adequada (com restrição de opioides quando possível) e nutrição enteral precoce são estratégias para acelerar a recuperação da função intestinal e reduzir a duração do íleo.
Os principais sinais incluem vômitos persistentes, distensão abdominal, ausência de eliminação de flatos e fezes, e alto débito em sonda nasogástrica. Dor abdominal difusa também é comum.
A conduta inicial envolve jejum, descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos, como a hipocalemia. A deambulação precoce pode auxiliar na recuperação.
A diferenciação é crucial. O íleo adinâmico geralmente não apresenta dor abdominal em cólica intensa e pode ter gases difusos na radiografia. A obstrução mecânica pode ter níveis hidroaéreos e transição abrupta em exames de imagem, além de dor mais localizada e intensa.
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