Manejo do Delirium no Idoso: Condutas e Contraindicações

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um idoso de 78 anos, internado após uma fratura de fêmur, desenvolve quadro de agitação, confusão e alucinações visuais no segundo dia de internação. Durante a avaliação, observa-se desorientação e dificuldade em manter o foco durante a conversa. Ao revisar o prontuário, notase que foi prescrito tramadol para controle da dor, além do uso de sonda vesical. Em relação ao manejo deste paciente com delirium, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O delirium neste caso pode ter sido precipitado pelo uso de sonda vesical e pelo uso de opioides como o tramadol.
  2. B) A redução de estímulos no ambiente e a presença de familiares pode auxiliar na recuperação do paciente.
  3. C) Antipsicóticos de baixa potência, como a haloperidol, podem ser considerados para controle do comportamento agitado, desde que monitorado rigorosamente.
  4. D) O uso de benzodiazepínicos, como o diazepam, é indicado como primeira linha para controle do quadro de agitação.
  5. E) É importante investigar causas médicas subjacentes, como infecção ou alterações metabólicas, que podem contribuir para o delirium.

Pérola Clínica

Delirium no idoso → tratar causa base; evitar benzodiazepínicos (exceto abstinência alcoólica).

Resumo-Chave

O delirium é uma síndrome confusional aguda multifatorial. O manejo prioritário envolve medidas não farmacológicas e correção de gatilhos (infecções, fármacos, dor), evitando-se BZD pelo risco de efeito paradoxal.

Contexto Educacional

O delirium é uma das complicações mais comuns em idosos hospitalizados, especialmente em contextos cirúrgicos como fraturas de fêmur. Sua fisiopatologia envolve um desequilíbrio de neurotransmissores (hipofunção colinérgica e hiperfunção dopaminérgica) desencadeado por estressores agudos em um cérebro vulnerável. O diagnóstico é clínico, frequentemente utilizando a ferramenta CAM (Confusion Assessment Method). O manejo exige uma visão holística: controle rigoroso da dor (evitando opioides de alto risco como tramadol e meperidina), revisão da polifarmácia (critérios de Beers), tratamento de infecções ocultas e distúrbios metabólicos. A abordagem centrada no paciente, priorizando o ambiente acolhedor e a segurança, reduz significativamente a morbimortalidade e o tempo de internação.

Perguntas Frequentes

Por que evitar benzodiazepínicos no tratamento do delirium?

Os benzodiazepínicos (BZD) são contraindicados como primeira linha no delirium porque podem causar sedação excessiva, aumentar o risco de quedas e, paradoxalmente, piorar a agitação e a confusão mental em idosos. O uso de BZD está associado ao prolongamento do quadro de delirium e piora do prognóstico cognitivo. A única exceção absoluta para o uso de BZD em quadros confusionais agudos é quando o delirium é secundário à síndrome de abstinência de álcool ou de próprios benzodiazepínicos, onde eles atuam na fisiopatologia da doença.

Qual o papel do haloperidol no manejo do delirium?

O haloperidol, um antipsicótico de alta potência, é utilizado em doses baixas para o controle de sintomas psicóticos ou agitação psicomotora grave que coloque em risco a integridade do paciente ou da equipe, quando medidas não farmacológicas falham. Deve ser usado com cautela, monitorando-se o intervalo QTc no eletrocardiograma para evitar arritmias ventriculares (Torsades de Pointes). Não deve ser usado de forma profilática, mas sim como terapia de resgate sintomático temporário enquanto a causa base do delirium é tratada.

Quais são as principais medidas não farmacológicas para delirium?

As medidas não farmacológicas são a base do tratamento e incluem a reorientação frequente do paciente (calendários, relógios), manutenção do ciclo sono-vigília (luz natural de dia, silêncio à noite), estímulo à presença de familiares, uso de próteses auditivas e óculos, e mobilização precoce. Além disso, deve-se evitar contenções físicas e dispositivos invasivos desnecessários, como sondas vesicais e cateteres, que são fortes preditores de agitação e piora do quadro confusional no ambiente hospitalar.

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