SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Um idoso de 78 anos, internado após uma fratura de fêmur, desenvolve quadro de agitação, confusão e alucinações visuais no segundo dia de internação. Durante a avaliação, observa-se desorientação e dificuldade em manter o foco durante a conversa. Ao revisar o prontuário, notase que foi prescrito tramadol para controle da dor, além do uso de sonda vesical. Em relação ao manejo deste paciente com delirium, é INCORRETO afirmar que:
Delirium no idoso → tratar causa base; evitar benzodiazepínicos (exceto abstinência alcoólica).
O delirium é uma síndrome confusional aguda multifatorial. O manejo prioritário envolve medidas não farmacológicas e correção de gatilhos (infecções, fármacos, dor), evitando-se BZD pelo risco de efeito paradoxal.
O delirium é uma das complicações mais comuns em idosos hospitalizados, especialmente em contextos cirúrgicos como fraturas de fêmur. Sua fisiopatologia envolve um desequilíbrio de neurotransmissores (hipofunção colinérgica e hiperfunção dopaminérgica) desencadeado por estressores agudos em um cérebro vulnerável. O diagnóstico é clínico, frequentemente utilizando a ferramenta CAM (Confusion Assessment Method). O manejo exige uma visão holística: controle rigoroso da dor (evitando opioides de alto risco como tramadol e meperidina), revisão da polifarmácia (critérios de Beers), tratamento de infecções ocultas e distúrbios metabólicos. A abordagem centrada no paciente, priorizando o ambiente acolhedor e a segurança, reduz significativamente a morbimortalidade e o tempo de internação.
Os benzodiazepínicos (BZD) são contraindicados como primeira linha no delirium porque podem causar sedação excessiva, aumentar o risco de quedas e, paradoxalmente, piorar a agitação e a confusão mental em idosos. O uso de BZD está associado ao prolongamento do quadro de delirium e piora do prognóstico cognitivo. A única exceção absoluta para o uso de BZD em quadros confusionais agudos é quando o delirium é secundário à síndrome de abstinência de álcool ou de próprios benzodiazepínicos, onde eles atuam na fisiopatologia da doença.
O haloperidol, um antipsicótico de alta potência, é utilizado em doses baixas para o controle de sintomas psicóticos ou agitação psicomotora grave que coloque em risco a integridade do paciente ou da equipe, quando medidas não farmacológicas falham. Deve ser usado com cautela, monitorando-se o intervalo QTc no eletrocardiograma para evitar arritmias ventriculares (Torsades de Pointes). Não deve ser usado de forma profilática, mas sim como terapia de resgate sintomático temporário enquanto a causa base do delirium é tratada.
As medidas não farmacológicas são a base do tratamento e incluem a reorientação frequente do paciente (calendários, relógios), manutenção do ciclo sono-vigília (luz natural de dia, silêncio à noite), estímulo à presença de familiares, uso de próteses auditivas e óculos, e mobilização precoce. Além disso, deve-se evitar contenções físicas e dispositivos invasivos desnecessários, como sondas vesicais e cateteres, que são fortes preditores de agitação e piora do quadro confusional no ambiente hospitalar.
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