AVC com Piora Neurológica: Prioridade na Via Aérea

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025

Enunciado

Idoso de 70 anos, hipertenso, diabético e coronariopata, procura atendimento de urgência em hospital pronto-socorro devido a quadro iniciado há 2 horas de hemiplegia à direita e desvio de rima labial para a esquerda, mantendo-se orientado no tempo e espaço, sem alterações evidentes em exame físico de pupilas. Durante espera para realização de exames, evoluiu subitamente com piora clínica caracterizada por perda de consciência, e ao ser realizado estímulo doloroso apresentou descerebração e abertura ocular ausente. A primeira conduta a ser tomada é a realização de

Alternativas

  1. A) tomografia computadorizada de crânio sem contraste.
  2. B) eletrocardiograma de 12 derivações.
  3. C) intubação orotraqueal.
  4. D) dose de alteplase via endovenosa.
  5. E) trombectomia mecânica.

Pérola Clínica

Piora neurológica súbita + perda de consciência + descerebração (Glasgow 3) → Prioridade é Intubação Orotraqueal.

Resumo-Chave

A perda de consciência com descerebração e um Glasgow Coma Scale (GCS) de 3 indica falha grave na proteção da via aérea e risco iminente de aspiração e hipóxia. Nesses casos, a prioridade absoluta é a intubação orotraqueal para garantir a permeabilidade e proteção da via aérea.

Contexto Educacional

Pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) podem apresentar deterioração neurológica súbita, especialmente em casos de AVC hemorrágico extenso ou edema cerebral significativo. A piora do nível de consciência, com sinais como descerebração e um Glasgow Coma Scale (GCS) muito baixo (GCS ≤ 8), indica uma falha crítica na proteção da via aérea e um risco iminente de aspiração e insuficiência respiratória. Nessas situações de emergência, a prioridade máxima, conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) e do manejo de emergências neurológicas, é a avaliação e o manejo da via aérea (A de Airway). A intubação orotraqueal é a conduta inicial e mais importante para garantir a permeabilidade da via aérea, proteger contra aspiração e assegurar ventilação e oxigenação adequadas. Somente após a estabilização da via aérea e da respiração, e com o paciente hemodinamicamente estável, é que se deve prosseguir com exames de imagem (como a TC de crânio sem contraste para diferenciar AVC isquêmico de hemorrágico) e tratamentos específicos para o AVC. A falha em priorizar a via aérea pode levar a complicações graves e irreversíveis, comprometendo ainda mais o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quando a intubação orotraqueal é indicada em pacientes com AVC?

É indicada em pacientes com rebaixamento grave do nível de consciência (GCS ≤ 8), sinais de falha na proteção da via aérea, hipoxemia ou hipercapnia, ou necessidade de hiperventilação controlada em caso de hipertensão intracraniana.

Qual a importância da Escala de Coma de Glasgow (GCS) na avaliação inicial?

A GCS é crucial para avaliar o nível de consciência e a gravidade da lesão cerebral, guiando decisões sobre a necessidade de intubação e o prognóstico do paciente.

Quais são os riscos de não intubar um paciente com rebaixamento grave da consciência?

Os riscos incluem aspiração de conteúdo gástrico, hipoxemia, hipercapnia e lesão cerebral secundária, que podem agravar o quadro neurológico e aumentar a mortalidade.

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