CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023
Jovem de 22 anos, chega à UBS com quadro de diagnóstico de depressão há 4 anos, apresentando quadro atual mais intenso sem sintomas psicóticos. Esse ao ser indagado, relata desesperança com sua vida e que pensa em “acabar com tudo isso, mas ainda não teve coragem”. Com relação à ideação suicida, qual a conduta a ser tomada?
Ideação suicida: notifica-se autoagressão/tentativa no SINAN, não a ideação. Falar sobre suicídio não estimula.
A ideação suicida, por si só, não é objeto de notificação compulsória no SINAN; apenas a autoagressão e a tentativa de suicídio são. É crucial abordar o tema abertamente com o paciente, pois falar sobre suicídio não aumenta o risco, mas sim permite a avaliação e intervenção adequadas.
A ideação suicida é um sintoma grave que exige atenção imediata e qualificada por parte dos profissionais de saúde, especialmente na atenção primária, onde muitos casos são inicialmente identificados. Pacientes com diagnóstico de depressão, como o jovem de 22 anos do enunciado, apresentam um risco aumentado de ideação e tentativa de suicídio, tornando a avaliação de risco uma etapa crucial do atendimento. É um mito perigoso acreditar que falar sobre suicídio com o paciente pode induzi-lo ao ato. Pelo contrário, a abordagem aberta e empática permite que o paciente expresse seus sentimentos, facilita a avaliação do grau de risco e possibilita a intervenção adequada. A notificação compulsória no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) é um instrumento importante para a vigilância em saúde pública, mas é fundamental compreender que apenas a autoagressão e a tentativa de suicídio são eventos de notificação obrigatória, e não a ideação em si. O manejo da ideação suicida requer uma abordagem multidisciplinar e a articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Dependendo do nível de risco, o paciente pode necessitar de acompanhamento intensivo em serviços especializados como o CAPS, internação psiquiátrica ou suporte de emergência. A atenção primária tem um papel vital na identificação precoce, no suporte inicial e no encaminhamento adequado, garantindo a continuidade do cuidado e a segurança do paciente.
Não, a ideação suicida não é objeto de notificação compulsória no SINAN. Apenas os casos de autoagressão e tentativa de suicídio são de notificação obrigatória, visando o monitoramento epidemiológico e a implementação de políticas de prevenção.
Não, é um mito que evitar falar sobre suicídio previna sua concretização. Pelo contrário, o profissional de saúde deve abordar o tema de forma direta, empática e sem julgamentos para avaliar o risco, oferecer suporte e encaminhamento adequado, demonstrando que o paciente não está sozinho.
A RAPS é fundamental para oferecer um cuidado integral e contínuo. Pacientes com ideação suicida, especialmente em quadros de depressão intensa, necessitam de acompanhamento que pode ir além da UBS, envolvendo serviços especializados como CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou hospitais, conforme a gravidade do risco.
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