Icterícia em Sepse: Entenda a Disfunção Hepática na Pneumonia Grave

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 60 anos foi internado para tratamento de pneumonia lobar esquerda. À admissão, estava taquicárdico (FC 120 bpm) e taquipneico (30 ipm), mas normotenso, e foi percebida icterícia moderada em escleras. Negava uso de medicações, suplementos ou chás potencialmente hepatotóxicos. Qual dos conjuntos de exames laboratoriais abaixo seria mais compatível com esse caso?

Alternativas

  1. A) Bilirrubina total: 4,8; bilirrubina direta: 4,5; AST/TGO: 30; ALT/TGP: 42; fosfatase alcalina: 600.
  2. B) Bilirrubina total: 6,0; bilirrubina direta: 5,0; AST/TGO: 460; ALT/TGP: 540; fosfatase alcalina: 120.
  3. C) Bilirrubina total: 6,2; bilirrubina direta: 4,2; AST/TGO: 600; ALT/TGP: 220; fosfatase alcalina: 130.
  4. D) Bilirrubina total: 3,8; bilirrubina direta: 0,8; AST/TGO: 220; ALT/TGP: 250; fosfatase alcalina: 145.
  5. E) Bilirrubina total: 3,8; bilirrubina direta: 3,0; AST/TGO: 50; ALT/TGP: 58; fosfatase alcalina: 200.

Pérola Clínica

Icterícia em sepse/pneumonia grave → Disfunção hepática secundária, geralmente colestase intra-hepática, com bilirrubinas elevadas.

Resumo-Chave

A icterícia em um paciente com pneumonia grave e sinais de resposta inflamatória sistêmica (taquicardia, taquipneia) sugere disfunção hepática secundária à sepse, conhecida como colestase séptica ou icterícia da sepse. Nesses casos, há elevação das bilirrubinas (principalmente a direta), com enzimas hepáticas (AST, ALT, FA, GGT) que podem estar discretamente elevadas ou com padrão colestático.

Contexto Educacional

A icterícia é um sinal clínico de elevação da bilirrubina sérica, e sua presença em pacientes com infecções graves, como pneumonia lobar, é um achado importante que indica disfunção hepática secundária à sepse. Essa condição é conhecida como colestase séptica ou icterícia da sepse, e sua epidemiologia está ligada à gravidade da infecção e à resposta inflamatória sistêmica. A fisiopatologia da icterícia na sepse é complexa e multifatorial, envolvendo a ação de citocinas inflamatórias que alteram o transporte de bilirrubina pelos hepatócitos, disfunção mitocondrial, hipoperfusão hepática e, em alguns casos, efeitos diretos de toxinas bacterianas. O diagnóstico é feito pela correlação do quadro clínico de sepse com exames laboratoriais que mostram elevação das bilirrubinas (predominantemente a direta), com ou sem elevação significativa das transaminases ou enzimas de colestase. O tratamento da icterícia séptica é primariamente o tratamento da sepse subjacente. Não há terapia específica para a disfunção hepática induzida pela sepse, mas o suporte hemodinâmico, a antibioticoterapia adequada e o controle da fonte de infecção são cruciais para a recuperação da função hepática. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da sepse e à resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo da icterícia em pacientes com sepse?

A icterícia na sepse, ou colestase séptica, é multifatorial, envolvendo disfunção dos hepatócitos e colangiócitos, alteração no transporte de bilirrubina, hipoperfusão hepática e efeitos diretos de citocinas inflamatórias, resultando em acúmulo de bilirrubina, principalmente a direta.

Quais exames laboratoriais são esperados em um quadro de icterícia séptica?

Em um quadro de icterícia séptica, espera-se elevação das bilirrubinas (predominantemente a direta), com fosfatase alcalina e gama-GT que podem estar elevadas (padrão colestático), e transaminases (AST, ALT) que podem estar discretamente elevadas ou normais.

Como diferenciar a icterícia séptica de outras causas de icterícia?

A diferenciação da icterícia séptica de outras causas envolve o contexto clínico de infecção grave, ausência de história de doença hepática prévia ou uso de hepatotóxicos, e um padrão laboratorial que sugere colestase intra-hepática sem obstrução biliar evidente.

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