HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2019
Lactente, 40 dias de vida, na unidade básica de saúde com icterícia que se acentuou a partir da segunda semana de vida, mantendo-se até agora. Nasceu com 37 semanas de gestação e pesou 2900g. Ficou ictérico no 2° dia de vida e fez fototerapia do 3° ao 6° dia, quando teve alta, pesando 2850g. Não apresenta incompatibilidade sanguínea. Em aleitamento materno exclusivo. Exame físico: icterícia em face, tronco e coxas. Peso = 3600g. Bilirrubina Total: = 16 mg/dL. Direta = 0,7 mg/dL e Indireta = 15,3 mg/dL. A hipótese diagnóstica é:
Icterícia prolongada em lactente >14 dias, Bili indireta predominante, bom estado geral → Icterícia pelo leite materno.
A icterícia pelo leite materno é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por hiperbilirrubinemia indireta prolongada em lactentes saudáveis em aleitamento exclusivo, sem outras causas identificáveis. A bilirrubina direta normal é crucial para afastar colestase.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas quando se prolonga além de 14 dias em recém-nascidos a termo ou 21 dias em prematuros, requer investigação. A icterícia pelo leite materno é uma das causas mais frequentes de hiperbilirrubinemia indireta prolongada em lactentes saudáveis em aleitamento exclusivo, sendo crucial para residentes reconhecerem seus critérios e diferenciais. A fisiopatologia da icterícia pelo leite materno envolve substâncias no leite materno (como a beta-glucuronidase) que aumentam a reabsorção entero-hepática da bilirrubina. O diagnóstico é de exclusão, baseado na ausência de outras causas de icterícia prolongada, como hemólise, hipotireoidismo, infecções ou, mais criticamente, colestase, que é descartada pela bilirrubina direta normal. O tratamento da icterícia pelo leite materno geralmente não exige a interrupção do aleitamento materno, pois o prognóstico é benigno e a condição se resolve espontaneamente. A fototerapia pode ser considerada em níveis muito elevados de bilirrubina, mas a prioridade é garantir a hidratação e o suporte nutricional, além de tranquilizar os pais sobre a benignidade do quadro.
A icterícia pelo leite materno é um diagnóstico de exclusão, caracterizada por hiperbilirrubinemia indireta prolongada (>14 dias) em um lactente saudável, em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal e sem evidências de hemólise ou colestase.
A conduta inicial envolve a exclusão de outras causas de icterícia prolongada, como colestase (bilirrubina direta elevada), hipotireoidismo e infecções. Geralmente, não requer interrupção do aleitamento materno.
A principal diferença é o tipo de bilirrubina elevada. Na icterícia pelo leite materno, há predomínio da bilirrubina indireta. Na colestase neonatal, a bilirrubina direta (conjugada) está elevada, indicando disfunção hepática ou biliar.
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