HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023
Analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.I. A hiperbilirrubinemia conjugada que surge em torno da segunda semana de vida, em recém-nascidos amamentados exclusivamente ao seio materno ocorre na grande maioria dos pacientes. PORQUE;II. Vários fatores no leite humano podem interferir no mecanismo de conjugação da bilirrubina apesar do mecanismo da icterícia pelo leite materno não ser totalmente elucidado. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
Icterícia pelo leite materno é hiperbilirrubinemia INDIRETA prolongada, não conjugada, e não ocorre na maioria dos RN.
A icterícia pelo leite materno é uma forma de hiperbilirrubinemia indireta prolongada em recém-nascidos amamentados, que geralmente surge após a primeira semana de vida e pode persistir por semanas. Não é hiperbilirrubinemia conjugada e não ocorre na grande maioria dos pacientes.
A icterícia neonatal é um achado comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo. A icterícia pelo leite materno é uma forma de hiperbilirrubinemia indireta prolongada, que se manifesta em recém-nascidos amamentados exclusivamente ao seio materno, geralmente após a primeira semana de vida, e pode persistir por várias semanas ou até meses. É crucial para residentes e estudantes de medicina diferenciar esta condição benigna de outras causas de icterícia prolongada, especialmente as patológicas. A fisiopatologia da icterícia pelo leite materno não é completamente elucidada, mas envolve fatores presentes no leite humano que interferem no metabolismo da bilirrubina. Entre eles, destacam-se a beta-glicuronidase, uma enzima que desconjuga a bilirrubina no intestino, aumentando sua reabsorção entero-hepática, e possivelmente ácidos graxos livres que inibem a enzima hepática glicuroniltransferase, responsável pela conjugação da bilirrubina. É importante ressaltar que a icterícia pelo leite materno é de bilirrubina indireta (não conjugada) e não ocorre na grande maioria dos recém-nascidos amamentados, sendo uma condição menos comum do que a icterícia fisiológica ou a icterícia por amamentação inadequada. O diagnóstico da icterícia pelo leite materno é de exclusão, após afastar outras causas de icterícia prolongada, como hipotireoidismo, infecções, atresia de vias biliares (que causaria hiperbilirrubinemia conjugada) e doenças hemolíticas. Geralmente, não requer interrupção da amamentação, pois os benefícios do leite materno superam os riscos, e os níveis de bilirrubina raramente atingem valores que causem kernicterus. Em casos de níveis muito elevados, a fototerapia pode ser indicada. A asserção I da questão está incorreta ao afirmar que a hiperbilirrubinemia conjugada surge e que ocorre na grande maioria dos pacientes, enquanto a asserção II, que menciona fatores no leite humano interferindo na conjugação, é verdadeira, embora o mecanismo não seja totalmente elucidado.
A icterícia por amamentação ocorre nos primeiros dias de vida devido à ingestão insuficiente de leite, levando à desidratação e menor eliminação de bilirrubina. A icterícia pelo leite materno surge após a primeira semana, com boa ingestão e ganho de peso, e é causada por fatores no leite que interferem no metabolismo da bilirrubina.
Embora o mecanismo exato não seja totalmente elucidado, acredita-se que fatores como a beta-glicuronidase, que desconjuga a bilirrubina no intestino, e a presença de ácidos graxos livres que inibem a glicuroniltransferase hepática, contribuam para a reabsorção de bilirrubina e sua elevação.
A icterícia pelo leite materno geralmente é benigna e não requer interrupção da amamentação. No entanto, se os níveis de bilirrubina indireta forem muito elevados (acima de 20 mg/dL), pode ser considerada fototerapia. A interrupção temporária da amamentação por 24-48h pode ser um teste diagnóstico, mas deve ser feita com orientação médica.
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