MedEvo Simulado — Prova 2026
Um recém-nascido do sexo masculino, com 39 semanas de idade gestacional, nascido de parto vaginal sem intercorrências e com peso de 3.300g, é avaliado no alojamento conjunto. A mãe é primigesta, tipo sanguíneo A positivo, e realizou pré-natal completo sem intercorrências. O recém-nascido está em aleitamento materno exclusivo, com boa pega e sucção. Durante o exame físico de rotina, o médico observa a presença de icterícia. Com base nos critérios de diferenciação entre icterícia fisiológica e patológica, assinale a alternativa que apresenta um cenário clínico classificado como icterícia patológica:
Icterícia nas primeiras 24h de vida ou Zona II de Kramer < 24h = SEMPRE patológica.
A icterícia que surge antes das 24 horas de vida é considerada patológica por definição, indicando geralmente processos hemolíticos ou infecções, exigindo investigação imediata.
A icterícia neonatal é um achado frequente, ocorrendo em cerca de 60% dos recém-nascidos a termo. A forma fisiológica surge após 24-48h, atinge o pico entre o 3º e 5º dia e regride espontaneamente. Já a icterícia patológica exige investigação etiológica imediata. O caso clínico da alternativa A descreve um RN com 18h de vida e BT de 9,2 mg/dL, o que claramente ultrapassa os limites da normalidade para esse tempo de vida (percentil > 95). A avaliação laboratorial inicial deve incluir tipagem sanguínea (mãe e RN), teste de Coombs direto, hemograma com reticulócitos e dosagem de bilirrubinas totais e frações.
Os principais critérios incluem: 1) Início nas primeiras 24 horas de vida; 2) Velocidade de aumento da bilirrubina total (BT) > 0,5 mg/dL/h; 3) Níveis de BT que ultrapassam o percentil 95 para a idade no nomograma de Bhutani; 4) Bilirrubina direta > 1,0 mg/dL (se BT < 5) ou > 20% da BT; 5) Icterícia persistente por mais de 2 semanas no termo.
A escala de Kramer é uma ferramenta clínica para estimar os níveis de bilirrubina baseada na progressão cefalocaudal da icterícia. Zona I (cabeça/pescoço) ~6 mg/dL; Zona II (até umbigo) ~9 mg/dL; Zona III (até joelhos) ~12 mg/dL; Zona IV (braços/pernas) ~15 mg/dL; Zona V (palmas/plantas) >15 mg/dL. Embora útil, a correlação visual pode falhar, especialmente em peles escuras.
A icterícia nas primeiras 24h sugere uma produção excessiva de bilirrubina que ultrapassa a capacidade de conjugação hepática inicial. As causas mais comuns são as isoimunizações (ABO, Rh, subgrupos) e deficiências enzimáticas (G6PD). O risco principal é a neurotoxicidade pela bilirrubina indireta (Kernicterus) se os níveis subirem rapidamente sem intervenção (fototerapia).
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