UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Um paciente de 68 anos de idade dá entrada no serviço de emergência do hospital com quadro de dor abdominal, temperatura de 37,8ºC, frio intenso, e relata que seus olhos vêm ficando gradativamente amarelos. O profissional, interessado na história pregressa do paciente, pede seu prontuário e observa que há três anos ele fora submetido a uma duodenopancreatectomia, com reconstrução em alça dupla devido a um tumor de cabeça do pâncreas. Qual seria a melhor conduta para esse paciente?
Icterícia obstrutiva pós-duodenopancreatectomia → CPRE difícil, considerar drenagem biliar trans-hepática.
Em pacientes com icterícia obstrutiva após duodenopancreatectomia com reconstrução em alça dupla, a anatomia alterada torna a CPRE tecnicamente desafiadora ou impossível. Nesses casos, a drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT) é a melhor opção para descompressão.
Pacientes submetidos a grandes cirurgias abdominais, como a duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple), frequentemente apresentam alterações anatômicas complexas que impactam o manejo de complicações pós-operatórias. A icterícia obstrutiva, especialmente quando acompanhada de febre e dor (tríade de Charcot, indicando colangite), é uma emergência médica que exige descompressão biliar urgente para prevenir sepse e falência de múltiplos órgãos. A fisiopatologia da icterícia obstrutiva pós-duodenopancreatectomia pode envolver estenoses anastomóticas, recorrência tumoral ou cálculos. A reconstrução em alça dupla (ex: gastrojejunostomia e hepaticojejunostomia) cria um longo trajeto para o acesso endoscópico, tornando a Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) tecnicamente desafiadora ou inviável. Nesses cenários, a Colangiorressonância (MRCP) é útil para o diagnóstico da causa e localização da obstrução, mas não é terapêutica. A conduta para a descompressão biliar em anatomias alteradas é a drenagem biliar percutânea trans-hepática (DBPT). Este procedimento permite o acesso direto aos ductos biliares através da pele e do fígado, possibilitando a colocação de um dreno para aliviar a obstrução. O ácido ursodesoxicólico é para colestase crônica, não para obstrução aguda. A colecistectomia não resolveria uma obstrução do ducto biliar comum. O prognóstico depende da rapidez da descompressão e do tratamento da causa subjacente.
A reconstrução em alça dupla altera a anatomia normal do trato gastrointestinal, tornando o acesso endoscópico à papila de Vater (onde o ducto biliar comum e o ducto pancreático se unem) extremamente difícil ou impossível.
Os sinais incluem icterícia (coloração amarelada da pele e escleras), colúria (urina escura), acolia fecal (fezes claras), prurido e, em casos de colangite, febre e dor abdominal.
A drenagem biliar trans-hepática é indicada em casos de obstrução biliar onde o acesso endoscópico (CPRE) é inviável, como em anatomias alteradas por cirurgias prévias, ou quando a CPRE falha.
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