Icterícia Obstrutiva: Diagnóstico e Tratamento da Coledocolitíase

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 58 anos, IMC de 24, Gesta 2, Para 2, zero aborto, apresentou icterícia com BRT 18 mg/dl, BRD 12 mg/dl e fosfatase alcalina de 300 U/L. Apresentava muitos vômitos. Ao exame, apresentava sinal de Murphy negativo e Sinal de Courvoisier-Terrier negativo. A ressonância magnética apresentava a seguinte imagem:A melhor conduta inicial para essa paciente seria:

Alternativas

  1. A) Colecistectomia com coledocotomia, com colocação de dreno de Folley na via biliar.
  2. B) Colecistectomia com coledocotomia, com colocação de dreno de Penrose na via biliar.
  3. C) CPRE (colangiografia endoscópica retrógrada), com papilotomia e retirada de cálculos.
  4. D) CPRE (colangiografia endoscópica retrógrada), para colocação de prótese para drenagem de bile trans-tumoral.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva + BRD ↑ + FA ↑ + Murphy/Courvoisier-Terrier negativos → CPRE para cálculos.

Resumo-Chave

Paciente com icterícia obstrutiva (bilirrubina direta e fosfatase alcalina elevadas), sem sinais de colecistite aguda (Murphy negativo) ou massa pancreática palpável (Courvoisier-Terrier negativo), e com imagem de obstrução biliar (provavelmente por cálculo na RM), a CPRE com papilotomia e retirada de cálculos é a conduta inicial de escolha para desobstrução e alívio dos sintomas.

Contexto Educacional

A icterícia obstrutiva é uma condição clínica que exige diagnóstico e intervenção rápidos, sendo frequentemente causada por coledocolitíase (cálculos na via biliar principal) ou por neoplasias. A apresentação clínica inclui icterícia, colúria, acolia fecal, prurido e, por vezes, dor abdominal e vômitos. Os exames laboratoriais revelam um padrão colestático, com elevação significativa da bilirrubina direta e da fosfatase alcalina, indicando a obstrução do fluxo biliar. O diagnóstico por imagem é fundamental. A ultrassonografia abdominal é o exame inicial, podendo identificar dilatação das vias biliares e, por vezes, os cálculos no colédoco. A ressonância magnética com colangiopancreatografia (CPRM) oferece uma visualização mais detalhada da árvore biliar e pancreática, confirmando a presença e a localização da obstrução. A ausência do Sinal de Murphy (sugere colecistite aguda) e do Sinal de Courvoisier-Terrier (sugere massa pancreática) direciona a investigação para causas não neoplásicas, como a coledocolitíase. A conduta inicial para coledocolitíase com icterícia obstrutiva é a desobstrução da via biliar. A Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE) é o procedimento de escolha, pois permite a papilotomia endoscópica e a extração dos cálculos, aliviando a obstrução e prevenindo complicações como colangite aguda ou pancreatite biliar. A colecistectomia, se indicada (por colelitíase associada), é geralmente realizada após a desobstrução da via biliar. Para residentes, é crucial o reconhecimento rápido da icterícia obstrutiva, a interpretação dos exames e a escolha da intervenção mais apropriada para garantir um bom prognóstico ao paciente.

Perguntas Frequentes

Quais exames laboratoriais indicam icterícia obstrutiva?

A icterícia obstrutiva é caracterizada por um padrão colestático nos exames laboratoriais, com elevação predominante da bilirrubina direta (conjugada), aumento da fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT). As transaminases (AST, ALT) podem estar elevadas, mas geralmente em menor proporção.

O que significa o Sinal de Courvoisier-Terrier negativo?

O Sinal de Courvoisier-Terrier refere-se à presença de uma vesícula biliar palpável e indolor em um paciente ictérico. É classicamente associado a obstruções biliares distais por neoplasias (ex: cabeça de pâncreas). Um sinal negativo, como no caso, sugere que a obstrução não é causada por uma massa que distende a vesícula biliar, tornando a coledocolitíase mais provável.

Quando a CPRE é a melhor conduta inicial para icterícia obstrutiva?

A CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) é a melhor conduta inicial quando há evidência de obstrução biliar por cálculos (coledocolitíase), especialmente se associada a colangite aguda ou pancreatite biliar. Ela permite a visualização direta da via biliar, papilotomia e extração dos cálculos, desobstruindo a via biliar de forma minimamente invasiva.

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