Icterícia Obstrutiva: Investigação Após US Normal

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 76 anos apresenta icterícia progressiva, colúria eacolia fecal há 15 dias, associadas à inapetência e emagrecimento de 6 kg nesse período. Exame físico: ictérico 2+/4+. Hb 13,4 g/dl; Ht 38%; GB 9500/mm³; Plaquetas 220.000/mm³; TGO 121 U/L; TGP 96 U/L; FA 388 U/L; GGT 678 U/L; BT 12 mg/dl (BD = 9 mg/dl). US de abdome: dilatação de vias biliares intra e extra-hepáticas, sem evidência de fator obstrutivo. A melhor conduta a ser tomada é:

Alternativas

  1. A) colecistectomia videolaparoscópica com colangiografia intraoperatória.
  2. B) tomografia de abdome total com contraste.
  3. C) colangiopancreatografia retrógrada endoscópica.
  4. D) laparoscopia para biópsia hepática.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva + US sem fator obstrutivo = investigar neoplasia com TC de abdome.

Resumo-Chave

Em paciente idoso com icterícia obstrutiva progressiva, perda de peso e dilatação de vias biliares ao US sem causa aparente, a suspeita de neoplasia é alta. A TC de abdome com contraste é o próximo passo para identificar a causa da obstrução e estadiamento.

Contexto Educacional

A icterícia obstrutiva é uma condição grave que requer investigação rápida para identificar a causa e iniciar o tratamento. É caracterizada pelo acúmulo de bilirrubina conjugada devido a um bloqueio no fluxo biliar, manifestando-se com icterícia, colúria e acolia fecal. A etiologia pode ser benigna (cálculos, estenoses) ou maligna (neoplasias periampulares, colangiocarcinoma). A investigação inicial geralmente envolve exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) e ultrassonografia abdominal. A US é excelente para detectar dilatação biliar e cálculos. Contudo, em casos onde a US não revela a causa da obstrução, mas a suspeita clínica de malignidade é alta (paciente idoso, perda de peso, inapetência), é fundamental prosseguir com exames de imagem mais detalhados. A tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste é o próximo passo para localizar a obstrução, caracterizar a lesão e avaliar a extensão da doença, sendo crucial para o estadiamento de neoplasias. A CPRE, embora diagnóstica e terapêutica, é mais invasiva e geralmente reservada para após a localização da obstrução pela TC ou RM, ou quando há necessidade de descompressão biliar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de icterícia obstrutiva?

Os sinais incluem icterícia progressiva, colúria (urina escura), acolia fecal (fezes claras), prurido, e pode haver perda de peso e inapetência em casos de malignidade.

Qual o papel da ultrassonografia na icterícia obstrutiva?

A US é o exame inicial para icterícia, capaz de identificar dilatação de vias biliares e, muitas vezes, a causa da obstrução (cálculos, massas). No entanto, sua sensibilidade para lesões pequenas ou em locais de difícil acesso pode ser limitada.

Quando a tomografia de abdome é indicada na investigação de icterícia?

A TC de abdome com contraste é indicada quando a US mostra dilatação de vias biliares, mas não identifica a causa da obstrução, especialmente em pacientes com alta suspeita de malignidade (idade avançada, perda de peso, sintomas constitucionais).

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