PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Paciente do sexo feminino, 66 anos, informa aparecimento de icterícia rapidamente progressiva com colúria e acolia fecal seguida de prurido intenso. Perda ponderal de 5Kg com moléstia atual. Nega febre. Ao exame físico, paciente ictérica(3+/4+), desidratada, descorada (+/4+). Abdome globoso com áreas de escarificações lineares com infecção secundária. Ausência de visceromegalias. Peristaltismo presente. Em relação a essa paciente, assinale a alternativa CORRETA.
Icterícia obstrutiva prolongada → risco de insuficiência renal aguda por nefropatia biliar e deficiência de vitamina K.
A icterícia obstrutiva, especialmente quando prolongada, pode levar à insuficiência renal aguda devido à toxicidade dos sais biliares acumulados nos túbulos renais. Além disso, a ausência de bile no trato intestinal impede a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), sendo a deficiência de vitamina K particularmente preocupante pelo risco de coagulopatia.
A icterícia obstrutiva é uma condição clínica comum na prática médica, caracterizada pelo impedimento do fluxo biliar, seja por causas benignas (cálculos) ou malignas (tumores). É fundamental que residentes compreendam não apenas o diagnóstico etiológico, mas também as potenciais complicações sistêmicas que podem surgir se não for adequadamente manejada. A apresentação clássica com icterícia, colúria, acolia fecal e prurido intenso deve sempre levantar a suspeita de obstrução biliar. A fisiopatologia das complicações envolve o acúmulo de bilirrubina conjugada e sais biliares no sangue. Os sais biliares, em altas concentrações, são tóxicos para diversos órgãos, incluindo os rins, onde podem induzir necrose tubular aguda e insuficiência renal. Além disso, a ausência de bile no lúmen intestinal compromete a absorção de vitaminas lipossolúveis, com destaque para a vitamina K, cuja deficiência pode levar a coagulopatias graves. A perda ponderal e a ausência de febre, como no caso, podem sugerir etiologia maligna, como um tumor de cabeça de pâncreas ou colangiocarcinoma. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multidisciplinar. Além da desobstrução biliar (endoscópica ou cirúrgica), é crucial o suporte clínico para as complicações. Isso inclui hidratação adequada, monitoramento da função renal, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e reposição parenteral de vitamina K para prevenir sangramentos. O prurido, que pode ser debilitante, é tratado com colestiramina ou rifampicina, embora a colestiramina exija a presença de bile no intestino para agir, sendo menos eficaz em obstruções completas. A compreensão desses aspectos é vital para a segurança e o prognóstico do paciente.
Os sinais e sintomas clássicos incluem icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas), colúria (urina escura devido à bilirrubina conjugada), acolia fecal (fezes claras pela ausência de estercobilina) e prurido intenso, que é causado pelo acúmulo de sais biliares na pele.
A insuficiência renal aguda pode ocorrer devido à nefropatia biliar, onde o acúmulo de sais biliares no sangue e sua excreção renal causam toxicidade tubular direta, vasoconstrição renal e necrose tubular aguda. A desidratação associada também contribui para a lesão renal.
A vitamina K é uma vitamina lipossolúvel essencial para a síntese de fatores de coagulação hepáticos (II, VII, IX, X). Na colestase, a ausência de bile no intestino impede sua absorção, levando à deficiência e risco aumentado de sangramentos. A reposição parenteral é frequentemente necessária.
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