AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Mulher, 58 anos, procura atendimento na unidade básica de saúde com queixa de prurido e escurecimento da urina há duas semanas, com piora progressiva. Refere ter notado que o olho está mais amarelado neste período. Referiu também perda de apetite e perda ponderal de 3 kg no período. De história prévia cita três cesáreas, último filho com 28 anos, apendicectomia há 30 anos e colecistectomia há 5 anos. Ao exame físico encontra-se em bom estado geral, ictérica +/IV, hidratada. Abdome globoso, flácido, indolor e sem visceromegalia ou sinais de irritação peritoneal. Em relação a este caso clínico, analise as assertivas abaixo classificando-as em verdadeiro (V) ou falso (F).( ) A ultrassonografia de abdome é o exame que apresenta maior sensibilidade para o diagnóstico desta paciente.( ) O tratamento definitivo deste paciente pode ser realizado através de escleroterapia endoscópica.( ) Neoplasia deve ser a principal hipótese diagnóstica, com os prováveis focos sendo cabeça de pâncreas, vias biliares ou papila duodenal.( ) A principal hipótese diagnóstica é coledocolitíase secundária e a investigação deve ser realizada com colangiopancreatografia endoscópica retrógrada( ) A principal hipótese diagnóstica é hepatite viral, medicamentosa ou por esteatose hepática, devendo ser solicitado sorologias virais hepáticas e perfil de colesterol.
Icterícia obstrutiva indolor + perda peso em idoso → neoplasia (pâncreas, vias biliares, papila).
A icterícia obstrutiva, caracterizada por colúria e prurido, em um paciente idoso com perda de peso e sem dor abdominal, é um forte indicativo de malignidade periampular. A investigação deve focar em neoplasias como câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma ou tumor de papila.
A icterícia obstrutiva é uma condição clínica caracterizada pelo acúmulo de bilirrubina conjugada devido a um impedimento no fluxo biliar. Em pacientes idosos, especialmente com perda de peso e ausência de dor, a principal preocupação é a etiologia maligna, como câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma ou tumor de papila duodenal. A história de colecistectomia prévia diminui a probabilidade de coledocolitíase secundária. O diagnóstico inicial geralmente envolve ultrassonografia abdominal para identificar dilatação das vias biliares. No entanto, para uma avaliação mais detalhada da causa e localização da obstrução, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é o exame de escolha, oferecendo alta sensibilidade e especificidade sem ser invasiva. A colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) é um procedimento diagnóstico e terapêutico, reservado para casos onde há necessidade de intervenção (ex: colocação de stent) ou biópsia. O tratamento definitivo para neoplasias periampulares é cirúrgico, quando possível, como a duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple). O prognóstico depende do estágio da doença ao diagnóstico. É crucial que o residente saiba diferenciar as causas de icterícia e a sequência de investigação para otimizar o manejo do paciente.
Sinais de alerta incluem icterícia progressiva, colúria, acolia fecal, prurido, perda de peso inexplicada e dor abdominal ausente ou leve, sugerindo uma etiologia maligna.
A ultrassonografia é o exame inicial para detectar dilatação das vias biliares, mas sua sensibilidade para determinar a causa exata da obstrução é limitada, necessitando de exames complementares como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM).
Em idosos, as principais causas de icterícia obstrutiva são neoplasias periampulares, como câncer de cabeça de pâncreas, colangiocarcinoma ou tumor de papila, e, menos frequentemente, coledocolitíase.
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