Icterícia: Escolha de Exames de Imagem na Avaliação Inicial

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere um paciente do sexo masculino, 45 anos de idade, ictérico há uma semana. Em relação aos métodos de exame por imagem utilizados na avaliação das icterícias, assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Um grau leve de dilatação de canais biliares pode ser evidenciado em pacientes colecistectomizados, não significando, necessariamente, obstrução.
  2. B) A tomografia computadorizada é o método inicial de escolha para a exclusão de obstrução biliar.
  3. C) A colangiopancreatografia por ressonância magnética é método sensível para detecção de cálculos, estenoses e dilatações em canais biliares.
  4. D) A ultrassonografia endoscópica permite a avaliação do pâncreas, dos canais biliares extra-hepáticos, linfonodos e vasos sanguíneos regionais.

Pérola Clínica

USG abdominal = exame inicial na icterícia; TC/CPRM = avaliação de obstrução/causa.

Resumo-Chave

A ultrassonografia é o método inicial devido ao baixo custo e alta sensibilidade para dilatação biliar. A TC é excelente para massas, mas não é a primeira escolha para triagem de obstrução.

Contexto Educacional

A abordagem diagnóstica da icterícia segue um fluxograma que prioriza a distinção entre causas parenquimatosas e obstrutivas. A ultrassonografia abdominal desempenha papel central como triagem inicial, identificando sinais indiretos de obstrução, como a dilatação biliar. A tomografia computadorizada, embora excelente para estadiamento oncológico e avaliação pancreática, possui menor sensibilidade para cálculos biliares não calcificados em comparação à USG e CPRM. A compreensão da anatomia biliar pós-cirúrgica é vital, pois a ausência da vesícula altera os parâmetros de normalidade do calibre do colédoco. Métodos avançados como a ultrassonografia endoscópica (EUS) são reservados para casos de micromitíase ou avaliação detalhada da ampola de Vater e parênquima pancreático, oferecendo alta resolução espacial.

Perguntas Frequentes

Qual o primeiro exame na suspeita de icterícia obstrutiva?

A ultrassonografia (USG) abdominal é o exame inicial de escolha. Ela apresenta alta sensibilidade para detectar dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, além de ser um método não invasivo, de baixo custo e amplamente disponível. Embora a tomografia computadorizada (TC) seja superior para avaliar a etiologia da obstrução (como neoplasias de cabeça de pâncreas), a USG permanece como o 'gatekeeper' diagnóstico inicial.

Pacientes colecistectomizados podem ter colédoco dilatado?

Sim, é comum observar um grau leve de dilatação compensatória do ducto biliar comum (colédoco) em pacientes que foram submetidos à colecistectomia. Nesses casos, um diâmetro de até 10mm pode ser considerado normal na ausência de sintomas clínicos ou alterações laboratoriais de colestase, não indicando necessariamente uma obstrução mecânica aguda.

Quando indicar a CPRM na icterícia?

A Colangiopancreatografia por Ressonância Magnética (CPRM) é indicada quando a USG sugere obstrução, mas não define a causa, ou quando há forte suspeita clínica de coledocolitíase. É um método não invasivo com sensibilidade comparável à CPRE para detecção de cálculos e estenoses, sendo fundamental no planejamento terapêutico sem os riscos de pancreatite associados aos métodos endoscópicos invasivos.

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