PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
QCF, 57 anos, sexo masculino, foi submetido a colecistectomia laparóscopica há 13 dias, sem intercorrências, tendo recebido alta no primeiro dia pós-operatório. Retornou no controle ambulatorial queixando-se de prurido intenso, coloração amarelada nos olhos e urina "da cor de coca-cola". Foi solicitada colangiorressonância, que identificou obstrução total do colédoco. O cirurgião optou pelo tratamento cirúrgico da complicação. Em relação ao preparo deste paciente para o procedimento cirúrgico, assinale, dentre as opções abaixo, a alternativa ERRADA:
Icterícia obstrutiva → Vitamina K (corrigir RNI) + Hidratação vigorosa + GIK (proteção hepática).
O preparo cirúrgico na icterícia obstrutiva foca na prevenção de coagulopatias e insuficiência renal. A colestiramina trata o sintoma (prurido), mas não é preparo pré-operatório para a correção da obstrução.
O manejo de pacientes com obstrução biliar total, como no caso de uma lesão iatrogênica ou cálculo residual pós-colecistectomia, exige um preparo sistêmico rigoroso. Além da correção da coagulopatia e proteção renal, deve-se considerar o risco nutricional e infeccioso. Embora a colestiramina seja eficaz para o prurido (sequestrante de sais biliares), ela não faz parte do protocolo de estabilização hemodinâmica ou metabólica pré-cirúrgica imediata.
A obstrução biliar impede a chegada de sais biliares ao lúmen intestinal, o que prejudica a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K). Como a Vitamina K é essencial para a síntese hepática dos fatores de coagulação II, VII, IX e X, sua deficiência leva ao prolongamento do tempo de protrombina (RNI elevado). A administração parenteral de Vitamina K é necessária para normalizar a coagulação antes de procedimentos invasivos.
A solução GIK é utilizada para otimizar o estoque de glicogênio hepático e fornecer suporte metabólico ao hepatócito em sofrimento devido à colestase. Isso ajuda a proteger o fígado contra o estresse cirúrgico e a hipóxia relativa durante o procedimento, melhorando a recuperação funcional pós-operatória.
A principal medida é a hidratação vigorosa (administrando 1 a 2 litros além das necessidades basais). A bile e os sais biliares circulantes em altos níveis são nefrotóxicos e podem causar necrose tubular aguda ou síndrome hepatorrenal. Manter um débito urinário adequado é a estratégia mais eficaz para 'lavar' essas toxinas e proteger a função renal.
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