Icterícia Obstrutiva: Diagnóstico com Colangiorressonância

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 29 anos queixa-se de dor em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos há 2 dias. Refere urina escura. Ao exame físico, apresenta sinais vitais estáveis, dor em hipocôndrio direito à palpação, sinal de Murphy negativo, sem massas abdominais palpáveis, e icterícia. Realiza ultrassom de abdome, que identifica colelitíase e dilatação das vias biliares intra e extra-hepáticas, sem evidência de fator obstrutivo. Exames laboratoriais: hemoglobina 15,5g/dL, leucócitos 8600/Ul/mL, bilirrubina total 3mg/dL, bilirrubina direta 2,3mg/dL, fosfatase alcalina 205mg/dL, gama-GT 109mg/dL, TGO 33mg/dL, TGP 42mg/dL, amilase 101mg/dL, lipase 192mg/dL. Qual é a melhor conduta a seguir, tendo em vista o quadro descrito?

Alternativas

  1. A) Solicitar marcadores virais para hepatite.
  2. B) Solicitar colangiorressonância nuclear magnética.
  3. C) Indicar laparotomia exploradora.
  4. D) Indicar colecistectomia imediata com exploração de vias biliares.
  5. E) Indicar internação e tomografia computadorizada de abdome.

Pérola Clínica

Icterícia obstrutiva com USG mostrando dilatação biliar sem causa clara → MRCP para identificar obstrução distal.

Resumo-Chave

A presença de icterícia obstrutiva (bilirrubina direta elevada, FA e GGT elevadas) com dilatação das vias biliares no ultrassom, mas sem identificação do fator obstrutivo, indica a necessidade de um exame de imagem mais detalhado. A colangiorressonância (MRCP) é o método de escolha para visualizar a árvore biliar de forma não invasiva e identificar cálculos ou outras causas de obstrução distal.

Contexto Educacional

A icterícia obstrutiva é uma condição clínica caracterizada pelo acúmulo de bilirrubina direta devido a um bloqueio no fluxo biliar. Os pacientes tipicamente apresentam icterícia, colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras), acompanhados por elevação de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e gama-GT nos exames laboratoriais. A colelitíase é uma causa comum, mas outras etiologias incluem tumores e estenoses. A investigação inicial geralmente começa com um ultrassom abdominal, que pode identificar colelitíase e dilatação das vias biliares. No entanto, o ultrassom pode não ser capaz de visualizar a causa exata da obstrução, especialmente se for distal no colédoco. Nesses casos, a colangiorressonância (MRCP) é o próximo passo diagnóstico, oferecendo uma imagem detalhada da árvore biliar de forma não invasiva, sem radiação ou contraste intravenoso. A MRCP é crucial para planejar a conduta terapêutica, que pode variar desde a observação até a intervenção endoscópica (CPRE) ou cirúrgica. Identificar a causa e a localização precisa da obstrução é fundamental para um tratamento eficaz e para evitar complicações como colangite ou pancreatite biliar.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais marcadores laboratoriais de icterícia obstrutiva?

Os principais marcadores são a elevação da bilirrubina direta (conjugada), fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil transferase (GGT), que indicam colestase e obstrução do fluxo biliar.

Por que a colangiorressonância é preferível à tomografia computadorizada para avaliar as vias biliares?

A MRCP oferece uma visualização superior da árvore biliar, identificando cálculos, estenoses e outras anomalias com alta sensibilidade e especificidade, sem a necessidade de radiação ionizante ou contraste iodado.

Quando a CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica) seria indicada neste cenário?

A CPRE é um procedimento terapêutico e diagnóstico. Seria indicada após a MRCP confirmar uma obstrução que pode ser removida endoscopicamente, como um cálculo no colédoco, ou para biópsia de lesões suspeitas.

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