PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Lactente, 65 dias de vida, vêm a consulta com história de icterícia desde a segunda semana de vida. Nasceu de parto normal, pesando 3,150 Kg e medindo 50 cm. Faz uso exclusivo de leite materno. As fezes estão esbranquiçadas e a urina encontra-se amarela. Lactente vem fazendo banhos de sol desde o início sem melhora. Ao exame, encontra-se bem nutrida, ictérica ++/++++ e fígado a 3,5 cm do RCD na linha hemiclavicular direita. O pediatra, preocupado, coletou bilirrubinas totais e frações, hemograma e reticulócitos que vieram com os seguintes resultados: bilirrubina total = 7,1; bilirrubina direta = 4,1; hemograma normal e reticulócitos normais. A investigação e o diagnóstico inicial mais provável são, respectivamente,
Lactente com icterícia > 2 semanas, fezes esbranquiçadas, urina escura e BD > 20% da BT → suspeitar de colestase, investigar atresia biliar.
Icterícia prolongada em lactente com fezes hipocólicas (esbranquiçadas), urina colúrica e elevação da bilirrubina direta é um sinal de colestase neonatal. A atresia biliar é a causa mais comum e grave, exigindo investigação e intervenção URGENTE para evitar cirrose biliar.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas quando persiste por mais de duas semanas em um lactente, especialmente com características como fezes esbranquiçadas (acolia ou hipocolia) e urina escura (colúria), torna-se um sinal de alerta para colestase neonatal. A colestase é definida pela elevação da bilirrubina direta (conjugada) acima de 1 mg/dL ou mais de 20% da bilirrubina total, e sempre requer investigação imediata, pois indica um distúrbio no fluxo biliar. A atresia biliar é a causa mais comum e grave de colestase neonatal, representando uma emergência pediátrica. É uma condição progressiva na qual os ductos biliares extra-hepáticos se tornam obliterados, impedindo o fluxo da bile do fígado para o intestino. Se não tratada precocemente, leva à cirrose biliar progressiva e insuficiência hepática terminal, com necessidade de transplante hepático. O diagnóstico diferencial da colestase neonatal é amplo, incluindo erros inatos do metabolismo, infecções congênitas (TORCH), deficiência de alfa-1-antitripsina, síndrome de Alagille, entre outros. A investigação de um lactente com suspeita de colestase deve ser rápida e abrangente. Inclui exames laboratoriais (bilirrubinas totais e frações, enzimas hepáticas como AST, ALT, FA, GGT, albumina, coagulograma), sorologias para infecções congênitas, triagem metabólica e, crucialmente, ultrassonografia abdominal para avaliar as vias biliares. A internação imediata é indicada para estabilização, administração de vitamina K (devido à má absorção de vitaminas lipossolúveis) e prosseguimento da investigação. O procedimento de Kasai (portoenterostomia) é a intervenção cirúrgica para a atresia biliar, com melhores resultados quando realizado antes dos 60-90 dias de vida.
Os principais sinais de alerta são icterícia prolongada por mais de 2 semanas, fezes esbranquiçadas (acolia ou hipocolia), urina escura (colúria) e elevação da bilirrubina direta.
A atresia biliar é uma emergência porque, se não tratada cirurgicamente (procedimento de Kasai) antes dos 60-90 dias de vida, leva rapidamente à cirrose biliar e insuficiência hepática terminal, necessitando de transplante hepático.
A ultrassonografia abdominal é um exame de triagem inicial importante para avaliar o fígado, vesícula biliar e vias biliares, podendo sugerir atresia biliar (ex: vesícula biliar pequena ou ausente, sinal do cordão triangular).
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