SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015
Lactente, com 28 dias de vida, é levado ao pediatra com história de icterícia desde o nascimento. Pais informam que seu filho encontra-se em aleitamento materno exclusivo e em bom estado geral. As fezes da criança podem ser vistas na foto abaixo.(VER IMAGEM) Avaliação laboratorial realizada há 3 dias revelou bilirrubina total de 9 mg/dl, com indireta de 5,5 mg/dl. Nascera a termo e com peso adequado para a idade gestacional. A melhor conduta para essa criança, no momento, é:
Icterícia >14 dias (RN a termo) ou >21 dias (RN pré-termo) com fezes claras → suspeita de colestase neonatal, requer investigação urgente.
Icterícia prolongada em lactente (>14 dias em RN a termo) com fezes claras é um sinal de alerta para colestase neonatal, mesmo com predomínio de bilirrubina indireta. A investigação urgente é crucial para identificar causas como atresia de vias biliares, que exige intervenção precoce.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas a icterícia prolongada, especialmente em um lactente com quase um mês de vida e fezes claras (acolia ou hipocolia), é um sinal de alerta para colestase neonatal. A colestase é definida pela elevação da bilirrubina direta (conjugada) acima de 1 mg/dL quando a bilirrubina total é < 5 mg/dL, ou > 20% da bilirrubina total se a bilirrubina total for > 5 mg/dL. Embora o caso apresente predomínio de bilirrubina indireta, a presença de fezes claras é um dado clínico extremamente relevante que indica obstrução biliar, mesmo que a fração direta não esteja tão elevada no momento da coleta. A atresia de vias biliares é a causa mais comum de colestase neonatal que requer intervenção cirúrgica. O sucesso do procedimento de Kasai é inversamente proporcional à idade em que é realizado, sendo ideal antes dos 60 dias de vida. Portanto, a investigação urgente em um serviço terciário é mandatória para diferenciar a icterícia do aleitamento materno (que não causa fezes claras) de uma colestase patológica. Suspender o leite materno sem investigação adequada (opção D) é um erro grave, pois a icterícia do aleitamento materno não causa fezes claras. A intervenção cirúrgica (opção B) é uma conduta precipitada sem o diagnóstico confirmado. Colher exames e aguardar um mês (opção C) atrasaria um diagnóstico potencialmente urgente.
Os principais sinais de alerta incluem icterícia prolongada (persistente após 14 dias em RN a termo ou 21 dias em pré-termo), fezes claras (acolia ou hipocolia), urina escura e hepatomegalia.
Fezes claras (esbranquiçadas ou amareladas pálidas) indicam que a bilirrubina conjugada não está chegando ao intestino, sugerindo um problema no fluxo biliar (colestase). É um sinal crucial para diferenciar icterícia fisiológica ou do aleitamento materno de condições patológicas.
A atresia de vias biliares é a principal causa de colestase neonatal que requer intervenção cirúrgica (procedimento de Kasai) nos primeiros 60 dias de vida para preservar a função hepática e evitar a necessidade de transplante.
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