HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Menino, 23 dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, é levado em consulta de rotina na unidade básica de saúde. Nascido de parto via vaginal com peso de 3.050g, sem intercorrências no parto e no pré-natal. A mãe nega dificuldades para amamentar e relata diurese mais escura, como se estivesse concentrada. Ao exame físico, o paciente encontra-se com peso de 4.030g, em bom estado geral, tônus em flexão, ativo e reativo, acianótico, corado, ictérico. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Ao exame abdominal, percebe-se fígado palpável 2cm abaixo de rebordo costal, sem massas ou visceromegalias. Tipagem sanguínea do paciente é O Rh positivo, e tipagem sanguínea da mãe é A Rh positivo. Quando questionada, a mãe relata surgimento de icterícia no terceiro dia de vida, mantendo-se desde então. Foi solicitada a dosagem de bilirrubina total e frações: bilirrubina indireta com valor de 10mg/dL e bilirrubina direta com valor de 3,2mg/dL. Sobre este caso clínico, é correto afirmar:
Icterícia prolongada >14 dias com BD >20% BT → investigar colestase neonatal, incluindo causas metabólicas/endócrinas (triagem neonatal).
Icterícia prolongada em neonatos, especialmente com componente direto elevado (colestase), exige investigação aprofundada. A bilirrubina direta > 20% da total (ou > 1 mg/dL se BT < 5 mg/dL) é um sinal de alerta para colestase neonatal, que pode ter diversas causas, incluindo doenças metabólicas e endócrinas detectáveis na triagem neonatal, como fibrose cística e hipopituitarismo.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas a icterícia prolongada (que persiste por mais de 14 dias em neonatos a termo ou 21 dias em prematuros) e, especialmente, a presença de hiperbilirrubinemia direta (colestase neonatal), sempre demandam investigação aprofundada. Neste caso, o paciente apresenta icterícia desde o 3º dia de vida, com 23 dias de idade, e valores de bilirrubina indireta (BI 10mg/dL) e direta (BD 3,2mg/dL). A BD de 3,2mg/dL representa aproximadamente 24% da bilirrubina total (13,2mg/dL), o que configura colestase neonatal. A colestase neonatal é uma emergência pediátrica, pois pode indicar condições graves que, se não tratadas precocemente, podem levar a danos hepáticos irreversíveis. Embora a atresia de vias biliares seja uma causa importante e necessite de ultrassonografia abdominal, outras etiologias metabólicas e endócrinas também devem ser consideradas. Doenças como fibrose cística e hipopituitarismo podem cursar com colestase neonatal e são rastreadas pelo teste de triagem neonatal (teste do pezinho). Para residentes, é crucial diferenciar a icterícia fisiológica ou do aleitamento materno (predominantemente indireta e benigna) da colestase neonatal. A presença de bilirrubina direta elevada é um sinal de alerta que exige uma investigação rápida e abrangente, incluindo revisão do teste de triagem neonatal, exames de imagem e, se necessário, biópsia hepática. A conduta correta é não subestimar a BD elevada e buscar ativamente as causas subjacentes.
Colestase neonatal é definida por um nível de bilirrubina direta (BD) maior que 1 mg/dL se a bilirrubina total (BT) for menor que 5 mg/dL, ou BD maior que 20% da BT se a BT for maior que 5 mg/dL.
As causas são diversas e incluem atresia de vias biliares, cisto de colédoco, deficiência de alfa-1 antitripsina, fibrose cística, galactosemia, tirosinemia, infecções congênitas (TORCH), hipopituitarismo e outras doenças metabólicas ou genéticas.
A icterícia do aleitamento materno é uma condição benigna e comum, caracterizada por hiperbilirrubinemia predominantemente indireta. A elevação da bilirrubina direta indica um problema no fluxo biliar ou na conjugação/excreção hepática, o que não é característico da icterícia do aleitamento materno.
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