FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
RN feminino, parto normal, 38 semanas de idade gestacional, pesando 2.630g e estatura de 46cm, Apgar 9/10, prénatal sem intercorrências e sem doenças maternas. Tipagem sanguínea materna O+, tipagem sanguínea do RN O-, Coombs indireto e direto negativos. Evoluiu apresentando icterícia Zona 2 no 3º dia de vida. Recebeu alta e no 15º de vida, ainda se mantinha ictérico Zona 4, com sucção débil no seio materno, hipotônico, membros estendidos, reflexos primitivos diminuídos. Demais exames físicos sem outras alterações. Frente ao caso acima, qual a melhor conduta?
Icterícia prolongada + hipotonia + sucção débil em RN → Investigar hipotireoidismo congênito (TSH/T4 livre).
A icterícia neonatal que persiste além de 14 dias em RN a termo (ou 21 dias em pré-termo) é considerada prolongada e requer investigação. A associação com sinais neurológicos como hipotonia e sucção débil levanta a suspeita de hipotireoidismo congênito, uma causa tratável de atraso no desenvolvimento.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas sua persistência além do período fisiológico, especialmente quando acompanhada de outros sinais clínicos, exige investigação aprofundada. A icterícia prolongada é definida como a que dura mais de 14 dias em recém-nascidos a termo ou 21 dias em prematuros. É crucial diferenciar as causas benignas das patológicas para prevenir complicações graves. Neste caso, a associação de icterícia prolongada (Zona 4 no 15º dia) com sucção débil, hipotonia e reflexos primitivos diminuídos aponta para uma condição sistêmica ou neurológica subjacente. O hipotireoidismo congênito é uma causa importante de icterícia prolongada e pode manifestar-se com hipotonia, letargia e dificuldade de alimentação. O diagnóstico precoce através da triagem neonatal (teste do pezinho) é vital para iniciar o tratamento e prevenir o cretinismo. A conduta inicial deve focar na exclusão de causas graves e tratáveis. A verificação dos resultados de TSH e T4 livre do teste do pezinho é prioritária, pois o hipotireoidismo congênito é uma emergência endócrina neonatal. Outras causas de icterícia prolongada incluem atresia de vias biliares (que cursa com colestase), infecções congênitas, erros inatos do metabolismo e deficiência de G6PD.
Icterícia que persiste após 14 dias em RN a termo ou 21 dias em pré-termo, especialmente se acompanhada de hipotonia, letargia ou sucção débil, é um sinal de alerta e deve ser investigada.
O hipotireoidismo congênito retarda a conjugação e excreção da bilirrubina, levando à icterícia prolongada. É crucial o diagnóstico precoce para evitar sequelas neurológicas.
Além da dosagem de bilirrubinas (total e frações), é fundamental checar TSH e T4 livre para hipotireoidismo congênito, e considerar outras causas como infecções, atresia de vias biliares e erros inatos do metabolismo.
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