UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2022
Neonato, sexo feminino, de 10 dias de vida comparece à primeira consulta de puericultura em aleitamento materno exclusivo. Mãe refere como queixa que as fezes são "quase brancas". História gestacional sem alterações. Nascimento sem intercorrências, 39 semanas, antropometria normal para idade gestacional. Mãe A+, filho A+. Ao exame clínico apresenta excelente estado geral, ganho de peso satisfatório, icterícia leve em pele e mucosas, abdome globoso, com fígado a 3 cm do rebordo costal direito, liso, borda fina. Durante a palpação abdominal, a neonata evacuou e ficou confirmado que as fezes são hipocólicas. Com base nestas informações, marque a alternativa correta:
Neonato com icterícia prolongada + fezes hipocólicas/acólicas + hepatomegalia → Investigar colestase obstrutiva (AVBEH/cisto colédoco).
Fezes hipocólicas em neonato com icterícia prolongada e hepatomegalia são sinais de alerta para colestase neonatal, especialmente atresia de vias biliares extra-hepáticas (AVBEH) ou cisto de colédoco. O diagnóstico precoce e a intervenção cirúrgica são cruciais para o prognóstico, especialmente na AVBEH, onde a cirurgia de Kasai deve ser realizada antes dos 60 dias de vida.
A icterícia neonatal é comum, mas quando persiste além de 14 dias de vida (ou 21 dias em prematuros), é considerada icterícia prolongada e requer investigação. A presença de fezes hipocólicas (claras, "quase brancas") é um sinal de alarme crítico, indicando que a bilirrubina conjugada não está sendo excretada adequadamente para o intestino, sugerindo colestase. A colestase neonatal pode ter diversas causas, mas a presença de fezes hipocólicas, urina escura e hepatomegalia (fígado a 3 cm do rebordo costal direito, liso, borda fina, como no caso) aponta fortemente para uma doença hepática obstrutiva. As principais causas obstrutivas são a atresia de vias biliares extra-hepáticas (AVBEH) e o cisto de colédoco. A AVBEH é a causa mais comum de colestase obstrutiva em neonatos e, se não tratada, leva à cirrose biliar e falência hepática. O diagnóstico precoce é imperativo. Na suspeita de AVBEH, a portoenterostomia de Kasai deve ser realizada idealmente antes dos 60 dias de vida para maximizar a chance de restabelecer o fluxo biliar e evitar a necessidade de transplante hepático. A icterícia do leite materno, embora comum, não causa fezes hipocólicas ou hepatomegalia e é um diagnóstico de exclusão, não devendo atrasar a investigação de causas mais graves.
Os principais sinais de alerta para colestase neonatal incluem icterícia que persiste além de 14 dias de vida (ou 21 dias em prematuros), fezes hipocólicas ou acólicas (esbranquiçadas), urina escura e hepatomegalia.
O diagnóstico precoce da atresia de vias biliares extra-hepáticas (AVBEH) é crucial porque a cirurgia de Kasai (portoenterostomia) tem melhores resultados quando realizada antes dos 60 dias de vida, prevenindo danos hepáticos irreversíveis e a necessidade de transplante.
A icterícia do leite materno é um diagnóstico de exclusão, não causa fezes hipocólicas, urina escura ou hepatomegalia, e predomina a bilirrubina indireta. A colestase obstrutiva cursa com fezes hipocólicas, urina escura, hepatomegalia e predomínio de bilirrubina direta.
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