PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2023
Recém-nascido a termo, 40 semanas de idade gestacional, mãe primípara, sem intercorrências no pré-natal. Nasceu de parto vaginal em boas condições de vitalidade, pesando 3300Kg, sendo encaminhado ao alojamento conjunto. Com seis horas de vida, apresentou dificuldade para mamar o seio materno. Ao exame físico, apresenta icterícia +/4+ em face e parte superior do tronco, restante do exame normal. O diagnóstico mais provável e a conduta CORRETA são
Icterícia < 24h de vida + dificuldade mamar → icterícia patológica (hemolítica) → investigar e tratar.
Icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre patológica e deve ser investigada ativamente para causas hemolíticas, como a doença hemolítica do recém-nascido. A dificuldade para mamar pode ser um sinal precoce de hiperbilirrubinemia significativa.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas sua apresentação nas primeiras 24 horas de vida é sempre um sinal de alerta para uma condição patológica. Diferente da icterícia fisiológica, que geralmente se manifesta após as 24-48 horas, a icterícia precoce sugere uma produção excessiva de bilirrubina, sendo a causa mais comum a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), seja por incompatibilidade Rh, ABO ou outras causas menos frequentes. A fisiopatologia da DHRN envolve a passagem de anticorpos maternos através da placenta, que atacam os eritrócitos do feto/RN, levando à hemólise e consequente aumento da produção de bilirrubina não conjugada. A dificuldade para mamar, mencionada no caso, pode ser um sinal de hiperbilirrubinemia significativa, que pode levar à letargia e, em casos graves, ao kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica com sequelas neurológicas permanentes. O diagnóstico e a conduta devem ser imediatos. A investigação inclui tipagem sanguínea da mãe e do RN, teste de Coombs direto no RN (para detectar anticorpos maternos ligados aos eritrócitos do RN), e dosagem de bilirrubinas totais e frações. O tratamento inicial é a fototerapia intensiva, que ajuda a reduzir os níveis de bilirrubina. Em casos de falha da fototerapia ou níveis muito elevados, a exsanguineotransfusão pode ser necessária para remover a bilirrubina e os anticorpos.
A icterícia fisiológica geralmente aparece após 24-48 horas de vida. O surgimento precoce (<24h) sugere uma produção excessiva de bilirrubina, frequentemente devido à hemólise, ou um problema na sua conjugação/excreção, indicando uma condição subjacente que requer investigação.
É fundamental solicitar tipagem sanguínea da mãe e do RN, teste de Coombs direto no RN (e indireto na mãe, se não feito), dosagem de bilirrubinas totais e frações, hemograma completo com reticulócitos e esfregaço de sangue periférico.
A fototerapia é o tratamento inicial para reduzir os níveis de bilirrubina sérica, convertendo a bilirrubina não conjugada em isômeros hidrossolúveis que podem ser excretados. É crucial para prevenir a neurotoxicidade da bilirrubina (kernicterus), especialmente em casos de icterícia precoce e níveis elevados.
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