Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
Em continuidade ao quadro apresentado na questão anterior, com 48 horas de vida está ictérico com dosagem de bilirrubina total 15 mg/dL e bilirrubina indireta 12,5 mg/dL. A hiperbilirrubinemia foi atribuída a causa adquirida. O diagnóstico provável para a icterícia é
RN 48h, icterícia indireta adquirida, BT 15 mg/dL → provável aumento da circulação entero-hepática.
A icterícia neonatal com predomínio de bilirrubina indireta, que se manifesta nas primeiras 48 horas de vida e é atribuída a uma causa adquirida, frequentemente se deve ao aumento da circulação entero-hepática. Isso pode ser exacerbado por fatores como aleitamento materno inadequado, desidratação ou retardo na eliminação do mecônio, que aumentam a reabsorção de bilirrubina não conjugada.
A icterícia neonatal, caracterizada pela coloração amarelada da pele e escleróticas devido ao acúmulo de bilirrubina, é um achado comum em recém-nascidos, afetando cerca de 60% dos nascidos a termo e 80% dos prematuros. A hiperbilirrubinemia indireta é a forma mais comum e, na maioria dos casos, é fisiológica. No entanto, níveis elevados podem ser neurotóxicos, causando kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica grave. A importância clínica reside em identificar e tratar precocemente as causas patológicas para prevenir sequelas neurológicas. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve a maior produção de bilirrubina (devido à maior massa de hemácias e menor vida útil), menor captação e conjugação hepática (imaturidade enzimática) e aumento da circulação entero-hepática. O aumento da circulação entero-hepática é uma causa frequente de icterícia fisiológica exacerbada ou icterícia por aleitamento materno, onde a bilirrubina não conjugada é reabsorvida do intestino. O diagnóstico é baseado na dosagem de bilirrubina total e frações, e na avaliação de fatores de risco e sinais clínicos. A suspeita de causa adquirida deve levar à investigação de fatores como ingesta inadequada, desidratação ou infecções. O tratamento da icterícia neonatal depende dos níveis de bilirrubina, idade gestacional e fatores de risco. A fototerapia é a intervenção mais comum para reduzir os níveis de bilirrubina. Em casos graves, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. Para a icterícia por aumento da circulação entero-hepática, a otimização do aleitamento materno e a hidratação adequada são medidas importantes. É crucial monitorar os níveis de bilirrubina e a evolução clínica para garantir um manejo seguro e eficaz.
O aumento da circulação entero-hepática em RNs ocorre devido à imaturidade hepática (menor conjugação de bilirrubina), maior atividade da enzima beta-glucuronidase no intestino (desconjugando a bilirrubina), e menor motilidade intestinal, que retarda a eliminação do mecônio e permite maior reabsorção de bilirrubina.
A icterícia por aleitamento materno (tipo precoce) geralmente se manifesta nos primeiros dias de vida, associada à ingesta inadequada e desidratação, enquanto a icterícia do leite materno (tipo tardio) surge após a primeira semana. Ambas são de predomínio indireto e o diagnóstico é de exclusão, após afastar causas patológicas.
As causas patológicas mais comuns de hiperbilirrubinemia indireta neonatal incluem doença hemolítica (incompatibilidade Rh, ABO, deficiência de G6PD), infecções congênitas ou sepse, cefalohematoma, policitemia e hipotireoidismo congênito.
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