CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020
Recém-nascido com 39 semanas de idade gestacional, parto vaginal, Apgar 9/9, peso do nascimento 3.350 gramas, evoluiu sem alterações, tendo alta com 36 horas de vida em aleitamento materno exclusivo. A gestação foi normal, pré-natal sem alterações, bolsa rota uma hora antes do parto. A tipagem sanguínea da mãe e do recém-nascido foi O+ e o teste de Coombs direto foi negativo. O recém-nascido voltou à emergência do hospital com cinco dias de vida ainda em aleitamento materno exclusivo, pesando 2.800 gramas, ictérico e sem outras alterações ao exame físico. O nível de bilirrubina sérico foi 14mg/dl com 95% de bilirrubina indireta. A conduta recomendada é:
RN 5 dias, ictérico, perda de peso >10%, bilirrubina indireta alta → Icterícia por desidratação/baixo aporte, aumentar frequência amamentação.
A icterícia neonatal em um RN de 5 dias com perda de peso significativa (>10% do peso de nascimento) e aleitamento materno exclusivo sugere icterícia associada ao baixo aporte de leite materno, levando à desidratação e menor eliminação de bilirrubina. Aumentar a frequência das mamadas é a conduta inicial para otimizar a ingestão e a eliminação de bilirrubina.
A icterícia neonatal é um achado comum e geralmente benigno, mas que requer atenção para prevenir a neurotoxicidade da bilirrubina indireta. Em recém-nascidos a termo e saudáveis, como o do caso, a icterícia que surge nos primeiros dias de vida e está associada a perda de peso significativa (>10% do peso de nascimento) e aleitamento materno exclusivo é frequentemente atribuída ao baixo aporte de leite materno. Essa condição, conhecida como icterícia por baixo aporte de leite materno (ou icterícia do aleitamento materno precoce), ocorre porque a ingestão insuficiente de leite leva à desidratação e à diminuição da frequência das evacuações. Isso resulta em um aumento da circulação êntero-hepática da bilirrubina, elevando seus níveis séricos. A ausência de incompatibilidade ABO/Rh (Coombs negativo e tipagem O+ para ambos) e a ausência de outras alterações ao exame físico afastam causas hemolíticas ou patológicas mais graves. A conduta inicial e mais importante nesses casos é otimizar o aleitamento materno. Isso significa aumentar a frequência e a eficácia das mamadas, garantindo que o bebê receba leite suficiente. A suspensão do aleitamento materno é raramente indicada e a fototerapia, embora uma opção terapêutica, não é a primeira medida quando a causa principal é o baixo aporte e o nível de bilirrubina não atinge limiares de risco imediato para neurotoxicidade, especialmente quando o bebê está clinicamente bem.
A icterícia associada ao aleitamento materno pode ser por baixo aporte (início, nos primeiros dias, devido à ingestão insuficiente de leite) ou por leite materno (tardia, após 7 dias, devido a fatores no leite).
Perda de peso significativa (>10% do peso de nascimento) em um RN ictérico sugere baixo aporte de leite, levando à desidratação e menor eliminação de bilirrubina pelas fezes, exacerbando a icterícia.
A fototerapia é indicada com base nos níveis de bilirrubina total, idade gestacional, idade pós-natal e fatores de risco, conforme as curvas de indicação específicas, geralmente após otimização do aleitamento e hidratação.
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