UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Você avalia um recém-nascido com 21 horas de vida e observa icterícia em Zona 3. O valor da bilirrubina total é de 9,5 mg/dl. O paciente nasceu a termo, mãe G2PC1, gestação sem intercorrências, parto cesárea com 38 semanas, líquido claro com grumos e bolsa rota no ato. Tipo sanguíneo da mãe e do RN: ambos O, Rh positivo. Teste de Coombs indireto e direto negativos. Sobre esse caso,
Icterícia Zona 3 em RN < 24h com BT 9.5 mg/dl = patológica; investigar G6PD, mesmo com Coombs negativo.
Icterícia que surge antes de 24 horas de vida ou com níveis elevados de bilirrubina para a idade gestacional e horas de vida é considerada patológica. Neste caso, com 21 horas e BT 9.5 mg/dl, a investigação de causas como deficiência de G6PD é crucial, mesmo com Coombs negativo, que exclui incompatibilidade Rh e ABO.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo. A maioria dos casos é fisiológica e benigna, mas é crucial identificar a icterícia patológica, que pode levar a complicações graves como o kernicterus. A distinção entre icterícia fisiológica e patológica baseia-se em critérios como o momento de aparecimento, a taxa de elevação da bilirrubina e os níveis séricos. Icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre considerada patológica e requer investigação imediata. Neste caso, o recém-nascido apresenta icterícia em Zona 3 com 21 horas de vida e bilirrubina total de 9,5 mg/dl, o que claramente indica uma icterícia patológica. Embora a incompatibilidade Rh e ABO tenha sido excluída (mãe e RN O Rh+, Coombs negativo), outras causas de hemólise devem ser consideradas. A deficiência de Glicose-6-Fosfato Desidrogenase (G6PD) é uma das causas mais importantes de icterícia neonatal grave e precoce, especialmente em populações de risco, e deve ser ativamente pesquisada. O manejo da icterícia neonatal patológica envolve a identificação da causa subjacente e o tratamento adequado, que pode incluir fototerapia e, em casos mais graves, exsanguineotransfusão. A suspensão do aleitamento materno não é a conduta inicial e o hipotireoidismo causa icterícia tardia, não precoce. Portanto, a investigação da deficiência de G6PD é a medida mais apropriada para este cenário clínico.
A icterícia neonatal é considerada patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, se a bilirrubina total aumentar mais de 0,5 mg/dL/hora, se atingir níveis muito altos para a idade gestacional ou se persistir por mais de 14 dias em RN a termo.
A deficiência de G6PD é uma causa importante de icterícia neonatal patológica, podendo levar a hemólise e elevação rápida dos níveis de bilirrubina. É crucial investigá-la, especialmente em casos de icterícia precoce e sem outra causa aparente, para prevenir kernicterus.
A Zona de Kramer é uma ferramenta clínica que estima o nível de icterícia pela progressão céfalo-caudal da coloração amarelada da pele. Embora útil para triagem, não substitui a dosagem laboratorial da bilirrubina, especialmente em casos de icterícia precoce ou intensa.
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