HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Recém-nascido, 40 semanas de idade gestacional, apgar 9/10, sem fatores de risco, apresenta icterícia em face com 18 horas de vida. História obstétrica sem fatores de risco. Grupo sanguíneo materno: O+, do RN: B+. Exame físico: ativo, mamando bem, já eliminou mecônio e apresentou diurese. Nesse caso, está indicado:
Icterícia <24h de vida + incompatibilidade ABO → sempre patológica, investigar e tratar.
Icterícia que surge antes de 24 horas de vida é sempre considerada patológica e requer investigação imediata, especialmente na presença de incompatibilidade ABO materno-fetal, para avaliar o risco de hiperbilirrubinemia grave e indicar fototerapia.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Embora a maioria dos casos seja fisiológica e benigna, a icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre considerada patológica e exige investigação imediata. A hiperbilirrubinemia indireta não conjugada, se não tratada, pode levar à encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), uma condição neurológica grave e irreversível. A investigação da icterícia neonatal precoce deve incluir a determinação do grupo sanguíneo e fator Rh do bebê, bem como o teste de Coombs direto. No caso de incompatibilidade ABO (mãe O e bebê A ou B), há um risco aumentado de doença hemolítica do recém-nascido, mesmo que o Coombs direto possa ser negativo ou fracamente positivo em alguns casos. A hemólise acelerada resulta em produção excessiva de bilirrubina, que pode rapidamente atingir níveis tóxicos. A conduta inicial para icterícia patológica envolve a coleta de exames laboratoriais para avaliar os níveis de bilirrubina total e frações, hemograma completo, reticulócitos e pesquisa de anticorpos. Com base nos resultados e na idade do bebê em horas, gráficos de nomogramas são utilizados para determinar a necessidade de fototerapia. A fototerapia é o tratamento mais comum e eficaz, convertendo a bilirrubina não conjugada em isômeros hidrossolúveis que podem ser excretados. Em casos de hiperbilirrubinemia extrema ou falha da fototerapia, a exsanguineotransfusão pode ser necessária.
Sinais de alerta incluem icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida, aumento rápido dos níveis de bilirrubina, icterícia prolongada, presença de palidez, hepatoesplenomegalia ou sinais de doença.
A incompatibilidade ABO (mãe O, bebê A ou B) pode causar doença hemolítica do recém-nascido, levando à destruição acelerada de hemácias e consequente hiperbilirrubinemia indireta, que pode ser grave e exigir tratamento.
A indicação de fototerapia depende da idade do bebê em horas, dos níveis de bilirrubina total e da presença de fatores de risco. Gráficos específicos são utilizados para guiar a decisão terapêutica.
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