UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Recém-nascido de 39 semanas de idade gestacional, nascido de parto cesáreo, APGAR 9/9, tipo sanguíneo A-, pesando 3.200 g, filho de mãe secundigesta, apresentou icterícia com 20 horas de vida. Mãe realizou pré-natal completo com sorologias todas negativas, sem infecção durante a gestação, tipo sanguíneo O+. Nesse caso a conduta correta é:
Icterícia <24h de vida é sempre patológica; mãe O+ e RN A- → investigar incompatibilidade ABO e hemólise.
Icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre considerada patológica e requer investigação imediata. A combinação de mãe O+ e recém-nascido A- é um fator de risco conhecido para incompatibilidade ABO, que pode causar doença hemolítica neonatal e icterícia precoce e grave, necessitando de dosagem de bilirrubinas e investigação de hemólise.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Embora a maioria dos casos seja fisiológica, a icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre considerada patológica e exige investigação imediata. A não identificação e tratamento de icterícia patológica grave pode levar ao kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica com sequelas neurológicas permanentes. A fisiopatologia da icterícia precoce frequentemente envolve um aumento na produção de bilirrubina devido à hemólise. A incompatibilidade sanguínea (ABO ou Rh) é uma das causas mais comuns. No caso de mãe O+ e bebê A-, há um risco significativo de incompatibilidade ABO, onde anticorpos maternos anti-A (IgG) atravessam a placenta e causam hemólise nos eritrócitos fetais. Outras causas incluem infecções congênitas, deficiência de G6PD e esferocitose hereditária. A conduta correta para icterícia precoce é a dosagem de bilirrubinas totais e frações, além de uma investigação completa para hemólise. Isso inclui tipagem sanguínea do RN e da mãe, teste de Coombs direto no RN, hemograma completo com reticulócitos. O manejo pode envolver fototerapia intensiva e, em casos graves de hiperbilirrubinemia refratária, exsanguineotransfusão. A identificação rápida da etiologia e o tratamento adequado são cruciais para prevenir a neurotoxicidade da bilirrubina.
Uma icterícia neonatal é considerada patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, se os níveis de bilirrubina total aumentarem mais de 5 mg/dL por dia, se a bilirrubina total exceder 15 mg/dL em RN a termo, se a icterícia persistir por mais de 1 semana em RN a termo ou 2 semanas em prematuros, ou se houver bilirrubina direta > 2 mg/dL.
A incompatibilidade ABO ocorre quando a mãe tem tipo sanguíneo O e o bebê tem tipo A ou B. A mãe O pode produzir anticorpos anti-A e anti-B (geralmente IgG) que atravessam a placenta e atacam os glóbulos vermelhos do feto, causando hemólise. Essa destruição de hemácias libera bilirrubina, levando à icterícia.
A conduta inicial para icterícia nas primeiras 24 horas de vida é sempre solicitar dosagem de bilirrubinas totais e frações. Além disso, deve-se investigar a causa da hemólise, incluindo tipagem sanguínea do RN e da mãe, teste de Coombs direto no RN, hemograma completo e reticulócitos, para descartar incompatibilidade sanguínea ou outras causas patológicas.
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