Icterícia Neonatal: Diagnóstico e Manejo da Incompatibilidade ABO

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido 39 semanas e 5 dias, nascido de parto normal, com 20 horas de vida, em bom estado geral, grupo sanguíneo A positivo, em aleitamento materno exclusivo, apresenta icterícia até a região do tronco. No prontuário da mãe temos História gestacional: Gesta: 1 Para: 1, Aborto: 0, três consultas de pré-natal; tipagem sanguínea materna: O positivo; sorologias do último trimestre de gestação: negativas. A conduta adequada é realizar:

Alternativas

  1. A) Hemograma completo, bilirrubinas, Coombs direto e suspender aleitamento materno.
  2. B) Hemograma completo, reticulócitos, bilirrubinas, Coombs direto e manter aleitamento materno.
  3. C) Hemograma completo, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e suspender aleitamento materno.
  4. D) Hemograma completo, reticulócitos, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e manter aleitamento materno.

Pérola Clínica

RN A+ e Mãe O+ com icterícia precoce (<24h) → investigar incompatibilidade ABO com Coombs direto e bilirrubinas. Manter aleitamento.

Resumo-Chave

A icterícia neonatal precoce em um RN A+ de mãe O+ sugere incompatibilidade ABO. A investigação deve incluir hemograma, reticulócitos, bilirrubinas e Coombs direto para confirmar a hemólise, mantendo o aleitamento materno, que é benéfico.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é uma condição comum, mas que exige atenção, especialmente quando surge nas primeiras 24 horas de vida, indicando uma causa patológica. Uma das etiologias mais frequentes de icterícia patológica precoce é a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), sendo a incompatibilidade ABO a forma mais comum, particularmente em mães tipo O com bebês tipo A ou B. Nesses casos, anticorpos maternos anti-A ou anti-B atravessam a placenta e causam hemólise das hemácias fetais. A investigação de uma icterícia neonatal precoce e patológica deve ser abrangente. Inclui hemograma completo para avaliar anemia e reticulocitose (sinais de hemólise), dosagem de bilirrubinas totais e frações para determinar a gravidade e o tipo de hiperbilirrubinemia, e o teste de Coombs direto, que detecta anticorpos aderidos às hemácias do recém-nascido, confirmando a etiologia imunológica. A tipagem sanguínea do bebê e da mãe também são fundamentais. É crucial manter o aleitamento materno, pois seus benefícios superam os riscos de uma icterícia leve. A icterícia associada ao aleitamento materno (que é diferente da icterícia por incompatibilidade ABO) geralmente tem início mais tardio e é benigna. A suspensão do aleitamento só é considerada em situações muito específicas e sob rigorosa avaliação médica, sendo a fototerapia o tratamento de escolha para a maioria dos casos de hiperbilirrubinemia indireta significativa.

Perguntas Frequentes

Quando a icterícia neonatal é considerada patológica?

A icterícia é considerada patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, se a bilirrubina total aumentar mais de 0,5 mg/dL/hora, se os níveis de bilirrubina forem muito altos para a idade gestacional, ou se persistir por mais de 14 dias em RN a termo.

Qual a importância do Coombs direto na investigação da icterícia neonatal?

O Coombs direto detecta anticorpos maternos aderidos às hemácias do recém-nascido, confirmando a sensibilização e a hemólise imunomediada, como na incompatibilidade ABO ou Rh. É crucial para identificar a causa da icterícia patológica.

Por que não se deve suspender o aleitamento materno em casos de icterícia neonatal?

O aleitamento materno é crucial para a saúde e desenvolvimento do RN. A icterícia do aleitamento materno é geralmente benigna e de início tardio. Em casos de icterícia patológica, a suspensão só é considerada em situações extremas e sob orientação médica, após exclusão de outras causas e avaliação dos riscos e benefícios.

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