HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Recém-nascido (RN) masculino, 20 horas de vida, está em alojamento conjunto. Ao exame clínico, apresenta icterícia (zona II pela classificação de Kramer). Trata-se de criança nascida de termo, adequada para a idade gestacional de 37 semanas, com peso ao nascer de 2800g, sem intercorrências. A tipagem sanguínea materna é A positivo, Coombs indireto negativo, e a do recém-nascido é AB positivo. Coombs direto negativo e Eluato negativo. Dentre as alternativas a seguir, assinale a que contém somente causas de icterícia neonatal por hiperbilirrubinemia indireta:
Icterícia neonatal indireta: causas hemolíticas (incompatibilidade ABO/Rh, def. G6PD/piruvato-quinase, esferocitose) ou não hemolíticas (leite materno, cefalohematoma).
A icterícia neonatal por hiperbilirrubinemia indireta pode ser de origem hemolítica ou não hemolítica. É crucial diferenciar das causas de hiperbilirrubinemia direta (colestase), que geralmente indicam patologias mais graves e requerem investigação específica, como atresia de vias biliares ou Síndrome de Alagille.
A icterícia neonatal é um achado comum, presente em até 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos pré-termos, sendo a hiperbilirrubinemia indireta a forma mais frequente. É crucial para o residente de Pediatria saber identificar as causas patológicas e diferenciá-las das fisiológicas, a fim de prevenir complicações graves como a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus). A fisiopatologia da icterícia indireta envolve um desequilíbrio entre a produção e a eliminação da bilirrubina. A produção aumentada pode ocorrer em condições hemolíticas (incompatibilidade ABO/Rh, deficiências enzimáticas, esferocitose) ou em situações como cefalohematoma. A eliminação reduzida pode ser vista na icterícia do leite materno ou em síndromes genéticas raras. O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico (zona de Kramer) e exames laboratoriais como bilirrubinas totais e frações, tipagem sanguínea materna e do RN, Coombs direto e indireto. O tratamento da icterícia neonatal indireta varia conforme a causa e os níveis de bilirrubina, utilizando principalmente fototerapia e, em casos graves, exsanguineotransfusão. É fundamental monitorar a evolução e identificar precocemente sinais de alerta para intervenção, garantindo um bom prognóstico e evitando sequelas neurológicas. A educação dos pais sobre os sinais de icterícia e a importância do acompanhamento também é essencial.
As principais causas incluem icterícia fisiológica, icterícia do aleitamento materno, icterícia do leite materno, incompatibilidades sanguíneas (ABO, Rh), deficiências enzimáticas (G6PD, piruvato-quinase), esferocitose hereditária e cefalohematoma.
A diferenciação é feita pela dosagem das frações de bilirrubina. A hiperbilirrubinemia direta é definida por bilirrubina direta > 1 mg/dL se bilirrubina total < 5 mg/dL, ou > 20% da bilirrubina total se bilirrubina total > 5 mg/dL. Causas diretas são sempre patológicas e indicam colestase.
É patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, se a bilirrubina total aumentar mais de 0,5 mg/dL/hora, se atingir níveis muito elevados que exijam fototerapia ou exsanguineotransfusão, ou se persistir por mais de 10-14 dias em RN a termo.
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