UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020
Um recém-nascido a termo (38 semanas e três dias), com 72 horas de vida, apresenta icterícia neonatal às custas de bilirrubina indireta (BT = 16mg/dL e BI = 14,6 mg/dL). A tipagem sanguínea materna é O positivo e a paterna é A positivo. A gestação foi sem intercorrências. A apojadura ocorreu hoje, mas a diurese está diminuída, embora o neonato esteja sugando bem. Considerando a icterícia apresentada e de acordo com a tabela de fototerapia da Academia Americana de Pediatria, o bebê deverá:
RN a termo, 72h, BT 16mg/dL → Indicação de fototerapia conforme AAP para prevenir kernicterus.
A icterícia neonatal com níveis de bilirrubina indireta elevados em um recém-nascido a termo de 72 horas, especialmente com sinais de desidratação (diurese diminuída), requer intervenção. A tabela de fototerapia da AAP é a principal ferramenta para decidir a conduta, e nesse caso, a fototerapia é indicada para evitar neurotoxicidade.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. É definida pela coloração amarelada da pele e mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina, predominantemente indireta, no sangue. A importância clínica reside no potencial neurotóxico da bilirrubina indireta não conjugada, que pode atravessar a barreira hematoencefálica e causar kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica crônica com sequelas neurológicas graves. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a produção e a eliminação da bilirrubina. Em recém-nascidos, há maior produção devido à alta massa eritrocitária e menor vida útil das hemácias, além de uma imaturidade hepática na conjugação e excreção. O diagnóstico é clínico e confirmado pela dosagem de bilirrubina total e frações. A suspeita deve surgir em qualquer RN com icterícia visível, especialmente se progressiva ou associada a fatores de risco como incompatibilidade sanguínea, prematuridade ou desidratação. O tratamento principal para hiperbilirrubinemia indireta é a fototerapia, que converte a bilirrubina não conjugada em isômeros hidrossolúveis que podem ser excretados sem conjugação hepática. A decisão de iniciar a fototerapia baseia-se em nomogramas que correlacionam o nível de bilirrubina total com a idade do RN em horas e a presença de fatores de risco, conforme as diretrizes da Academia Americana de Pediatria. Em casos de falha da fototerapia ou níveis muito elevados, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. O prognóstico é excelente com tratamento precoce e adequado, mas o atraso pode levar a sequelas irreversíveis.
Fatores de risco incluem prematuridade, incompatibilidade ABO/Rh, cefalohematoma, amamentação exclusiva com perda de peso excessiva, irmãos com icterícia que necessitaram de fototerapia, e etnia asiática. A desidratação também pode agravar a hiperbilirrubinemia.
A tabela da AAP considera o nível de bilirrubina total, a idade do recém-nascido em horas e a presença de fatores de risco (como prematuridade, doença hemolítica, asfixia, letargia, instabilidade térmica, sepse, acidose ou albumina < 3,0 g/dL) para determinar o limiar de indicação de fototerapia.
A hidratação adequada é crucial, pois a desidratação pode levar à hemoconcentração e ao aumento dos níveis de bilirrubina. A melhora da diurese e da eliminação de fezes auxilia na excreção da bilirrubina, sendo fundamental para o manejo da hiperbilirrubinemia.
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