PSU-ES - Processo Seletivo Unificado do Espírito Santo — Prova 2024
Considere o caso a seguir:Mãe procura atendimento para recém-nascido em 5º dia após nascimento. Relata notar que criança apresenta “olhos muito amarelados”, sendo este o motivo da preocupação que a levou a procurar atendimento médico. Reporta que desde o 3ª dia de nascimento, oferece banho de sol por 15 minutos à criança, diariamente, sem notar melhora.Ao examinar a criança, o pediatra notou que a mesma se encontrava ativa e reativa, bem hidratada. A icterícia restringia-se ao rosto da criança. Ao ler as anotações no cartão do neonato, constatou que a perda ponderal tinha sido de 3% até ali.Tratava-se de criança nascida a termo, às 38 semanas de gestação, parto vaginal. Boa vitalidade ao nascer. Teve alta do alojamento conjunto junto à mãe, às 48h de nascimento.Acerca do quadro acima citado, assinale a alternativa CORRETA
Icterícia RN a termo, 5º dia, só face, bem, perda peso < 7% → provável fisiológica.
A icterícia neonatal fisiológica é comum em recém-nascidos a termo, manifestando-se após as primeiras 24-48 horas de vida, atingindo o pico entre o 3º e 5º dia e regredindo espontaneamente. É causada pela imaturidade hepática e aumento da produção de bilirrubina, sendo geralmente benigna e sem necessidade de intervenção, desde que não haja sinais de patologia.
A icterícia neonatal é um achado clínico extremamente comum, presente em cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. É caracterizada pela coloração amarelada da pele e mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina. A maioria dos casos é de icterícia fisiológica, uma condição benigna resultante da imaturidade do metabolismo hepático do neonato e do aumento da produção de bilirrubina. A distinção entre icterícia fisiológica e patológica é crucial para evitar complicações como a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus). No caso apresentado, o recém-nascido a termo, no 5º dia de vida, com icterícia restrita ao rosto (Kramer I-II), ativo, bem hidratado e com perda ponderal de apenas 3% (considerada normal), apresenta um quadro altamente sugestivo de icterícia fisiológica. A icterícia fisiológica geralmente se inicia após 24-48 horas de vida, atinge seu pico entre o 3º e 5º dia e tende a regredir espontaneamente. A imaturidade da glicuroniltransferase hepática e o aumento da carga de bilirrubina (devido à maior massa de hemácias e menor vida útil) são os principais fatores fisiopatológicos. A ausência de melhora com banho de sol não é indicativa de hiperbilirrubinemia direta, pois o banho de sol tem efeito fototerápico limitado e a icterícia direta se manifesta com colúria e acolia. A perda de peso de 3% é normal e não aponta para icterícia por betaglicuronidases do leite materno (que seria a icterícia do leite materno, diferente da icterícia por amamentação inadequada, que se associa a maior perda de peso). A persistência da icterícia no quinto dia em um RN a termo, sem outros sinais de alarme, não obriga à coleta de exames laboratoriais se a avaliação clínica for tranquilizadora e a icterícia não for extensa ou intensa.
A icterícia fisiológica surge após 24-48 horas de vida, atinge o pico entre o 3º e 5º dia (em RN a termo), é predominantemente indireta, não ultrapassa níveis patológicos e regride espontaneamente. O RN deve estar ativo, bem hidratado e sem outros sinais de doença.
A icterícia é patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, for de progressão rápida, atingir níveis muito altos, persistir por mais de 10-14 dias (em RN a termo) ou se houver sinais de doença associada, como letargia, recusa alimentar ou colúria/acolia.
Uma perda ponderal excessiva (>7-10% do peso de nascimento) pode indicar ingesta inadequada, o que aumenta a recirculação entero-hepática da bilirrubina e pode agravar a icterícia, caracterizando a icterícia associada ao aleitamento materno (por baixa ingesta). No caso, 3% é uma perda normal.
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