Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Recém-nascido de parto cesárea, sexo masculino, idade gestacional de 38 semanas, peso ao nascer de 3 100 gramas, com Apgar de 1o e 5o minutos de 9 e 10. Evoluiu bem nas primeiras horas de vida. Com 42 horas de vida, recebendo leite materno exclusivo, apresenta-se em bom estado geral, corado, hidratado, acianótico e ictérico Zona I, sem outras alterações ao exame físico. Mãe - Tipagem sanguínea: O Rh positivo/Recém-nascido - Tipagem sanguínea: O Rh positivo. Com 68 horas de vida, recém-nascido em aleitamento materno, apresenta- -se ictérico Zona III, sem outras alterações. Solicitam-se os seguintes exames, cujos resultados foram: Bilirrubinas - Total 10,6 mg/dL; Direta 0,3 mg/dL; Indireta 10,3 mg/dL. Qual afirmativa é correta sobre a gênese dessa icterícia?
Icterícia neonatal fisiológica/aleitamento materno → ↑ produção bilirrubina (hemácias ↓ vida média) e ↓ eliminação (imaturidade hepática, ↑ circulação entero-hepática).
A icterícia neonatal fisiológica e a icterícia associada ao aleitamento materno são comuns e multifatoriais. Recém-nascidos apresentam uma maior produção de bilirrubina devido à menor vida média das hemácias e maior volume de hemácias por quilo, além de uma imaturidade hepática que dificulta a conjugação e excreção.
A icterícia neonatal é um achado comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. A maioria dos casos é fisiológica, mas é crucial diferenciar de causas patológicas para prevenir a neurotoxicidade da bilirrubina (kernicterus). A icterícia do aleitamento materno é uma forma comum de icterícia fisiológica prolongada. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve um desequilíbrio entre a produção e a eliminação da bilirrubina. Recém-nascidos têm uma maior produção de bilirrubina devido à menor vida média de suas hemácias (70-90 dias vs. 120 dias em adultos) e maior volume de glóbulos vermelhos por quilo. Além disso, o fígado neonatal é imaturo, com menor atividade da enzima UDP-glucuronosiltransferase, responsável pela conjugação da bilirrubina, e há um aumento da circulação entero-hepática. O manejo da icterícia neonatal envolve a monitorização dos níveis de bilirrubina e a identificação de fatores de risco para hiperbilirrubinemia grave. O tratamento pode incluir fototerapia, que converte a bilirrubina não conjugada em isômeros hidrossolúveis que podem ser excretados. Em casos graves, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. O acompanhamento é essencial para garantir a segurança do recém-nascido.
A icterícia neonatal fisiológica é multifatorial, resultando de maior produção de bilirrubina (menor vida média das hemácias fetais e maior massa eritrocitária), menor captação e conjugação hepática (imaturidade enzimática) e maior circulação entero-hepática da bilirrubina.
Os recém-nascidos possuem hemácias fetais (hemoglobina F) que têm uma vida média mais curta (70-90 dias) em comparação com as hemácias adultas (120 dias). A degradação mais rápida dessas hemácias resulta em uma maior produção de bilirrubina.
No recém-nascido, a atividade da enzima beta-glucuronidase no intestino é maior, desconjugando a bilirrubina e permitindo sua reabsorção para a circulação. Isso aumenta a carga de bilirrubina não conjugada que o fígado imaturo precisa processar, contribuindo para a icterícia.
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