UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015
A seguir são apresentadas três afirmativas para sua análise, numeradas de I a III, a respeito da icterícia e hiperbilirrubinemia no recém-nascido.I. A síndrome da icterícia pelo leite materno tem sido relacionada à uma mutação no neonato, e pode cursar com níveis elevados de bilirrubina indireta, com nível sérico máximo por volta de 3 semanas de vida, e queda gradual, a qual pode durar até 2 a 3 meses;II. A sobrecarga de bilirrubina ao hepatócito e a menor capacidade de captação, conjugação e excreção hepática de bilirrubina explicam a icterícia no recém-nascido de termo saudável;III. A doença hemolítica por incompatibilidade ABO é limitada a RN com tipo sanguíneo A ou B de mães tipo O; pode ocorrer na primeira gestação e o Coombs direto não se positiva na maioria dos casos. Quais afirmativas estão CORRETAS?
Icterícia leite materno → ↑ bilirrubina indireta até 3 semanas. Doença hemolítica ABO → Coombs direto pode ser negativo.
A icterícia neonatal é comum, mas exige atenção. A icterícia pelo leite materno pode prolongar a hiperbilirrubinemia indireta. Na doença hemolítica por incompatibilidade ABO, o Coombs direto pode não se positivar em todos os casos, o que não exclui o diagnóstico, especialmente em mães tipo O e RN tipo A ou B.
A icterícia neonatal é uma condição extremamente comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. A hiperbilirrubinemia indireta é a forma mais frequente, resultante de um desequilíbrio entre a produção e a eliminação da bilirrubina. A imaturidade hepática do neonato, com menor capacidade de captação, conjugação e excreção, aliada à maior produção de bilirrubina devido à vida mais curta das hemácias fetais, explica a icterícia fisiológica. Duas causas importantes de icterícia prolongada ou patológica são a icterícia pelo leite materno e a doença hemolítica por incompatibilidade ABO. A icterícia pelo leite materno, embora benigna, pode levar a níveis elevados de bilirrubina indireta por semanas. Já a doença hemolítica por incompatibilidade ABO, tipicamente em mães tipo O com bebês tipo A ou B, pode ocorrer na primeira gestação e, crucialmente, o teste de Coombs direto pode ser negativo ou fracamente positivo em muitos casos, exigindo alta suspeição clínica. Para residentes, é vital diferenciar as causas de icterícia neonatal para instituir o manejo adequado e prevenir complicações graves como o kernicterus. A avaliação deve incluir histórico, exame físico, dosagem de bilirrubinas (total e frações), tipagem sanguínea do RN e mãe, e Coombs direto. O conhecimento das particularidades de cada etiologia, como a apresentação do Coombs na incompatibilidade ABO, é fundamental para um diagnóstico preciso e uma conduta terapêutica eficaz.
A icterícia pelo leite materno é multifatorial, envolvendo substâncias no leite que inibem a conjugação ou aumentam a reabsorção entero-hepática da bilirrubina. Pode persistir por semanas a meses, com níveis de bilirrubina indireta elevados.
Ocorre quando a mãe tipo O produz anticorpos anti-A ou anti-B (geralmente IgG) que atravessam a placenta e causam hemólise nos eritrócitos do feto/RN tipo A ou B. Pode ocorrer na primeira gestação.
O Coombs direto pode ser negativo ou fracamente positivo na incompatibilidade ABO devido à menor quantidade de anticorpos IgG ligados aos eritrócitos do RN, tornando o diagnóstico mais desafiador e exigindo a consideração de outros achados clínicos e laboratoriais.
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