Icterícia Neonatal Precoce: Diagnóstico e Manejo da Incompatibilidade ABO

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021

Enunciado

Recém-nato a termo, parto normal, com 18 horas de vida, em bom estado geral, grupo sanguineo A positivo, em aleitamento materno exclusivo, apresenta-se ictérico até a região do tronco. No prontuário materno há registro de Gesta: 1 Para: 1, Aborto: 0, três consultas de pré-natal; tipagem sanguínea materna: O positivo; sorologias do último trimestre de gestação: negativas. A conduta adequada é realizar

Alternativas

  1. A) hemograma, bilirrubinas, Coombs direto e suspender aleitamento materno.
  2. B) hemograma, reticulócitos, bilirrubinas, Coombs direto e manter aleitamento materno.
  3. C) hemograma, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e suspender aleitamento materno.
  4. D) hemograma, reticulócitos, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e manter aleitamento materno.

Pérola Clínica

RN ictérico <24h + Mãe O/RN A ou B → investigar hemólise (hemograma, reticulócitos, bilirrubinas, Coombs direto).

Resumo-Chave

Icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida é sempre patológica e requer investigação imediata. A incompatibilidade ABO é uma causa comum, e a avaliação deve incluir exames para detectar hemólise e determinar a causa da hiperbilirrubinemia.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é um achado comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo. No entanto, a icterícia que se manifesta nas primeiras 24 horas de vida é sempre considerada patológica e exige investigação imediata para identificar a causa subjacente e prevenir complicações como a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus). Uma das principais causas de icterícia patológica precoce é a doença hemolítica do recém-nascido, frequentemente devido à incompatibilidade ABO ou Rh. A incompatibilidade ABO ocorre quando a mãe é do grupo sanguíneo O e o bebê é A ou B, levando à produção de anticorpos maternos que destroem as hemácias fetais. A investigação diagnóstica inclui tipagem sanguínea materno-fetal, dosagem de bilirrubinas (total e frações), hemograma completo com contagem de reticulócitos e o teste de Coombs direto no sangue do recém-nascido para detectar anticorpos aderidos às hemácias. O manejo da icterícia neonatal depende da sua causa, nível de bilirrubina e idade gestacional. O aleitamento materno deve ser incentivado e mantido, pois seus benefícios superam os riscos na maioria dos casos de icterícia. A fototerapia é o tratamento mais comum para reduzir os níveis de bilirrubina, e em casos graves, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. O residente deve estar apto a identificar os sinais de alerta e iniciar a investigação e o tratamento adequados prontamente.

Perguntas Frequentes

Quais exames são essenciais para investigar icterícia neonatal precoce?

Para investigar icterícia neonatal precoce, são essenciais: tipagem sanguínea do RN e da mãe, bilirrubinas totais e frações, hemograma completo com reticulócitos e Coombs direto no sangue do recém-nascido, para identificar causas hemolíticas.

A incompatibilidade ABO é uma causa comum de icterícia neonatal?

Sim, a incompatibilidade ABO é uma das causas mais comuns de icterícia hemolítica neonatal, especialmente quando a mãe é do grupo O e o bebê é do grupo A ou B. Os anticorpos maternos atravessam a placenta e causam hemólise nas hemácias do RN.

Quando o aleitamento materno deve ser suspenso em caso de icterícia neonatal?

A suspensão do aleitamento materno é raramente indicada para icterícia neonatal. Geralmente, é considerada apenas em casos graves de icterícia do leite materno, após exclusão de outras causas e sob orientação médica, por um período curto para confirmação diagnóstica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo