SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024
Recém-nascido de 7 dias vem acompanhado da mãe para primeira consulta pósparto. Em aleitamento materno exclusivo. Nascido de parto cesáreo (apresentação pélvica), com 40 semanas gestacionais, peso ao nascer 3920g, comprimento 50 cm, perímetro cefálico 34 cm, apgar 9/9. Teve alta da maternidade em 48h com peso 3785g. teste de ortolani, orelhinha, olhinho, coraçãozinho, linguinha normais, teste do pezinho coletado. Ao exame físico: ativo e reativo, fontanelas abertas e normotensas, oroscopia e otoscopia sem alterações, BRNF SS, pulmões limpos, coto umbilical seco sem sinais flogísticos, testículos palpáveis em bolsa escrotal bilateral, fimose. Reflexos primitivos presentes e normais. Icterícia de esclera e pele até região de cicatriz umbilical. Peso 3880g, comprimento 50,5 cm, perímetro cefálico 34 cm.Diante do caso apresentado, qual zona de kramer a icterícia do recém-nascido encontra-se?
Icterícia neonatal até cicatriz umbilical = Zona de Kramer 2. → Avaliar necessidade de fototerapia.
A icterícia neonatal é uma condição comum, e sua extensão corporal é um indicativo da gravidade, conforme a escala de Kramer. Icterícia que atinge esclera e pele até a região da cicatriz umbilical corresponde à Zona 2 de Kramer, sugerindo níveis de bilirrubina que podem necessitar de avaliação laboratorial e, dependendo da idade do RN e fatores de risco, intervenção como fototerapia.
A icterícia neonatal é uma condição comum, presente em até 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros, sendo a principal causa de reinternação hospitalar no período neonatal. É caracterizada pela coloração amarelada da pele e escleras devido ao acúmulo de bilirrubina indireta. Embora na maioria dos casos seja fisiológica e benigna, é fundamental para residentes e profissionais de saúde saberem identificar e manejar os casos que podem evoluir para hiperbilirrubinemia grave. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve a maior produção de bilirrubina (devido à maior massa de hemácias e menor vida útil), menor captação e conjugação hepática (imaturidade enzimática) e maior reabsorção entero-hepática. A escala de Kramer é uma ferramenta clínica útil para estimar a progressão da icterícia, onde a Zona 1 corresponde à cabeça e pescoço, Zona 2 ao tronco até o umbigo, Zona 3 até as coxas, Zona 4 até os braços e pernas, e Zona 5 às palmas e plantas. No caso apresentado, a icterícia até a cicatriz umbilical corresponde à Zona 2. O manejo da icterícia neonatal depende dos níveis de bilirrubina, idade do recém-nascido em horas e presença de fatores de risco. A fototerapia é o tratamento mais comum, que converte a bilirrubina em produtos hidrossolúveis que podem ser excretados. Em casos de hiperbilirrubinemia extrema, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. O acompanhamento rigoroso na primeira consulta pós-parto é crucial para detectar a progressão da icterícia e intervir precocemente, prevenindo o kernicterus, uma complicação neurológica grave e irreversível.
As zonas de Kramer são uma escala visual para estimar a progressão da icterícia no recém-nascido. A Zona 1 (cabeça e pescoço) indica os menores níveis de bilirrubina, enquanto a Zona 5 (palmas das mãos e plantas dos pés) indica os níveis mais altos. A icterícia até a cicatriz umbilical corresponde à Zona 2.
A avaliação na primeira consulta pós-parto é crucial para identificar icterícia significativa que possa necessitar de intervenção. A icterícia pode progredir rapidamente após a alta hospitalar, e a detecção precoce de níveis elevados de bilirrubina é fundamental para prevenir complicações neurológicas graves, como o kernicterus.
A necessidade de tratamento, como a fototerapia, é determinada pelos níveis de bilirrubina sérica total, idade gestacional do recém-nascido, idade pós-natal em horas e presença de fatores de risco para neurotoxicidade. A fototerapia é indicada quando os níveis de bilirrubina atingem um limiar específico para a idade e risco do bebê.
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