HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2023
Um recém-nascido (RN) a termo, adequado para a idade gestacional, apresenta quadro de icterícia, iniciada com 30 horas de vida. No quinto dia, teve um pico de hiperbilirrubinemia indireta de 15 mg/dL, com redução gradual. Está em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho de peso, sem outras alterações ao exame físico. A respeito da icterícia do RN, assinale a alternativa correta.
Icterícia < 24h ou bilirrubina ↑ rápida → patológica. Incompatibilidade ABO causa icterícia precoce.
A icterícia neonatal é um achado comum, mas a sua etiologia e gravidade dependem do momento de início, valores de bilirrubina e fatores de risco. A incompatibilidade ABO é uma causa importante de icterícia patológica, caracterizada por início precoce (nas primeiras 24-36 horas de vida) e elevação rápida da bilirrubina, necessitando de investigação imediata com tipagem sanguínea da mãe e do RN.
A icterícia neonatal, ou hiperbilirrubinemia, é uma condição comum que afeta até 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Embora a maioria dos casos seja fisiológica e benigna, é fundamental diferenciar as causas patológicas, que podem levar a complicações graves como o kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica. A avaliação da icterícia deve considerar o tempo de início, a velocidade de elevação da bilirrubina, o tipo de bilirrubina (indireta ou direta) e a presença de fatores de risco. A icterícia fisiológica geralmente aparece após 24 horas de vida, atinge um pico entre o 3º e 5º dia e se resolve em 1 a 2 semanas. Já a icterícia patológica é suspeitada quando surge nas primeiras 24 horas, há elevação rápida da bilirrubina, níveis muito altos ou icterícia prolongada. A incompatibilidade ABO é uma causa comum de icterícia patológica, resultando em hemólise e elevação da bilirrubina indireta, com início tipicamente nas primeiras 24 a 36 horas de vida. Por isso, a solicitação do grupo sanguíneo da mãe e do RN é uma conduta essencial. O manejo da icterícia neonatal envolve monitoramento dos níveis de bilirrubina, fototerapia para reduzir a bilirrubina indireta e, em casos graves e refratários, exsanguineotransfusão. A icterícia do leite materno é um diagnóstico de exclusão, geralmente benigna e de início mais tardio, não havendo indicação rotineira de suspender o aleitamento, a menos que os níveis de bilirrubina atinjam limiares de risco. As zonas de Kramer são uma ferramenta clínica útil para estimar a progressão da icterícia, mas a dosagem sérica de bilirrubina é indispensável.
Sinais de icterícia patológica incluem início nas primeiras 24 horas de vida, elevação rápida da bilirrubina (>0,5 mg/dL/hora), níveis muito altos de bilirrubina, icterícia prolongada (>14 dias em RN a termo) ou presença de outros sintomas como letargia, dificuldade de alimentação.
A icterícia do aleitamento materno é um diagnóstico de exclusão. Raramente requer suspensão do aleitamento. A intervenção (fototerapia) é indicada se os níveis de bilirrubina atingirem limiares de risco para kernicterus, conforme nomogramas específicos para idade e fatores de risco.
A tipagem sanguínea é crucial para identificar incompatibilidades ABO ou Rh, que são causas comuns de icterícia hemolítica patológica. A incompatibilidade ABO, por exemplo, pode causar icterícia precoce e grave, exigindo monitoramento e tratamento intensivos.
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