UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2015
Recém-nascido com 44 horas de vida, a termo, em alojamento conjunto, parto normal, raça negra, aleitamento materno exclusivo, adequado para idade gestacional, encontra-se ictérico até zona II de Kramer. Mãe O positivo e recém-nascido A positivo. Qual a melhor conduta?
RN 44h, icterícia zona II, incompatibilidade ABO → dosar bilirrubina total e planejar acompanhamento.
Em um RN com 44 horas de vida, icterícia em zona II de Kramer e incompatibilidade ABO, a conduta mais adequada é dosar a bilirrubina sérica total para avaliar o risco de hiperbilirrubinemia significativa e, com base nisso, decidir sobre a alta e o acompanhamento.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. É caracterizada pela coloração amarelada da pele e escleróticas devido ao acúmulo de bilirrubina não conjugada. Embora na maioria dos casos seja fisiológica e benigna, a hiperbilirrubinemia grave pode levar à encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), uma condição neurológica devastadora. A avaliação cuidadosa e o manejo adequado são cruciais para prevenir essa complicação. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve o aumento da produção de bilirrubina (devido à maior massa eritrocitária e menor vida útil dos eritrócitos fetais), a imaturidade hepática para a conjugação e excreção, e o aumento da circulação êntero-hepática. No caso apresentado, a idade do RN (44 horas) e a presença de incompatibilidade ABO (Mãe O+, RN A+) são fatores importantes. A incompatibilidade ABO pode causar icterícia patológica de início precoce e níveis elevados de bilirrubina devido à hemólise. A zona de Kramer II indica icterícia até o umbigo. A conduta inicial em um RN ictérico com fatores de risco é sempre a dosagem da bilirrubina sérica total. Com base nesse valor, na idade pós-natal em horas e nos fatores de risco, utiliza-se um nomograma para determinar a necessidade de fototerapia ou outras intervenções. A alta hospitalar deve ser planejada com acompanhamento ambulatorial rigoroso, especialmente para RNs com fatores de risco, para reavaliar os níveis de bilirrubina e garantir a segurança do paciente.
Fatores de risco incluem prematuridade, incompatibilidade sanguínea (ABO ou Rh), icterícia nas primeiras 24h, irmão com icterícia que necessitou fototerapia, cefalohematoma, amamentação exclusiva inadequada e raça asiática.
A indicação de fototerapia depende do nível de bilirrubina sérica total, idade gestacional, idade pós-natal em horas e presença de fatores de risco, conforme as curvas de indicação específicas.
A incompatibilidade ABO (mãe O e bebê A ou B) pode levar à hemólise dos eritrócitos do RN devido à passagem de anticorpos maternos, resultando em um aumento da produção de bilirrubina e risco de icterícia hemolítica.
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