UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2015
Um recém-nascido de cinco dias é trazido ao ambulatório. Ele está clinicamente bem e a mãe procura o serviço porque ele está muito "amarelo”. Além de bilirrubina total e frações, os exames a serem solicitados são:
Icterícia neonatal em RN >24h e clinicamente bem → investigar hemólise: reticulócitos e tipagem sanguínea (mãe/RN).
Em recém-nascidos com icterícia que se manifesta após as primeiras 24 horas de vida e que estão clinicamente estáveis, a investigação inicial deve focar em causas hemolíticas. A solicitação de reticulócitos e tipagem sanguínea da mãe e do bebê é crucial para identificar incompatibilidades sanguíneas (ABO, Rh) ou outras condições que levem à destruição de glóbulos vermelhos.
A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Embora na maioria dos casos seja fisiológica e benigna, é fundamental diferenciar a icterícia fisiológica da patológica, que pode levar a complicações graves como a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus) se não tratada adequadamente. A identificação precoce das causas patológicas é crucial para prevenir sequelas neurológicas permanentes. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve o aumento da produção de bilirrubina (devido à maior massa de hemácias e menor vida útil), a imaturidade hepática para conjugar a bilirrubina e o aumento da circulação êntero-hepática. Na investigação, além da bilirrubina total e frações, exames como hemograma completo, contagem de reticulócitos e tipagem sanguínea (mãe e bebê) são essenciais para rastrear causas hemolíticas, como incompatibilidades ABO/Rh ou deficiências enzimáticas. A suspeita de icterícia patológica surge com início precoce (<24h), níveis elevados, aumento rápido ou icterícia prolongada. O tratamento da icterícia patológica pode incluir fototerapia e, em casos mais graves, exsanguineotransfusão. O prognóstico depende da causa subjacente, da precocidade do diagnóstico e da eficácia do tratamento. Residentes devem estar atentos aos fatores de risco para hiperbilirrubinemia grave e à necessidade de uma investigação completa para garantir a segurança e o bem-estar do recém-nascido.
Sinais de alerta incluem icterícia nas primeiras 24 horas de vida, aumento rápido dos níveis de bilirrubina, icterícia persistente por mais de 14 dias, e presença de outros sintomas como letargia, dificuldade de alimentação ou colúria/acolia fecal, que podem indicar doença hepática.
A tipagem sanguínea é crucial para identificar incompatibilidades ABO ou Rh entre mãe e feto, que são as causas mais comuns de doença hemolítica do recém-nascido. Essa incompatibilidade leva à destruição dos eritrócitos fetais por anticorpos maternos, resultando em hiperbilirrubinemia indireta.
A contagem de reticulócitos reflete a taxa de produção de novos glóbulos vermelhos pela medula óssea. Um aumento nos reticulócitos em um recém-nascido ictérico sugere um processo hemolítico, ou seja, destruição acelerada de eritrócitos, que o corpo tenta compensar.
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