Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
A icterícia neonatal é, provavelmente, o diagnóstico mais frequentemente realizado nos recém-nascidos. Em relação a icterícia neonatal, assinale a alternativa INCORRETA:
Icterícia neonatal: produção bilirrubina ↑, aleitamento materno ↑ incidência, < 24h = doença hemolítica.
A icterícia neonatal é comum devido à maior produção de bilirrubina e imaturidade hepática. Icterícia que surge antes de 24 horas de vida é sempre patológica e frequentemente associada a doença hemolítica. Embora hematomas e equimoses aumentem a carga de bilirrubina, a afirmação de que é uma causa 'frequente' pode ser questionável em comparação com outras etiologias.
A icterícia neonatal é um dos achados mais comuns no período neonatal, afetando cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. É caracterizada pela coloração amarelada da pele e mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina no sangue. A importância clínica reside na necessidade de diferenciar a icterícia fisiológica da patológica, pois níveis elevados de bilirrubina indireta podem ser neurotóxicos, levando a sequelas graves como o kernicterus. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve uma combinação de fatores: maior produção diária de bilirrubina (cerca de 2 a 3 vezes maior que no adulto), menor tempo de vida das hemácias fetais, imaturidade do sistema enzimático hepático (glicuroniltransferase) responsável pela conjugação da bilirrubina, e aumento da circulação êntero-hepática. A icterícia que se inicia antes de 24 horas de vida é sempre patológica e deve ser investigada para causas como doença hemolítica (incompatibilidade Rh ou ABO). O manejo da icterícia neonatal envolve a monitorização dos níveis de bilirrubina, fototerapia e, em casos graves, exsanguineotransfusão. É crucial identificar e tratar as causas subjacentes. Embora a metabolização de sangue sequestrado em hematomas e equimoses contribua para a carga de bilirrubina, a afirmação de que é uma causa 'frequente' em comparação com a icterícia fisiológica ou por aleitamento materno pode ser considerada imprecisa, dependendo da interpretação da frequência. No entanto, é um fator a ser sempre considerado na avaliação de um recém-nascido ictérico.
As principais causas incluem icterícia fisiológica, icterícia associada ao aleitamento materno, doença hemolítica (incompatibilidade ABO/Rh), deficiência de G6PD, infecções, hipotireoidismo e a reabsorção de hematomas ou equimoses.
A icterícia que se inicia antes de 24 horas de vida é considerada patológica e requer investigação imediata, pois frequentemente indica uma condição subjacente grave, como doença hemolítica, que pode levar a níveis perigosamente altos de bilirrubina e kernicterus.
O aleitamento materno pode estar associado a dois tipos de icterícia: a icterícia por amamentação (precoce), devido à ingestão insuficiente de leite e desidratação, e a icterícia do leite materno (tardia), por fatores presentes no leite que aumentam a reabsorção de bilirrubina.
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