SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de três anos de idade, previamente hígido, foi levado ao pronto atendimento por apresentar há dois dias diarreia líquida, com seis episódios por dia, e vômitos ocasionais. A mãe relatou que ele mantém aceitação moderada de líquidos. Ao exame, mostrou-se hidratado, com mucosas úmidas, sem alterações respiratórias, com FC = 110 bpm, FR = 26 irpm, SpO₂ = 97%, e temperatura = 37,3°C. Abdome sem dor à palpação. Um recém-nascido a termo, de três dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, apresentou icterícia visível até o abdome. Está em bom estado geral, mamando bem, sem alterações ao exame físico. Os exames laboratoriais apresentaram bilirrubina total 11 mg/dL e bilirrubina direta 0,4 mg/dL. Qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
RN hígido + BT 11 no 3º dia + aleitamento efetivo = Conduta expectante.
A icterícia fisiológica atinge o pico entre o 3º e 5º dia de vida. Níveis de bilirrubina indireta moderados em RNs a termo e saudáveis não exigem intervenção imediata, apenas observação clínica.
A icterícia neonatal afeta cerca de 60% dos recém-nascidos a termo. A maioria dos casos é decorrente do aumento da produção de bilirrubina e da imaturidade hepática para conjugação. A avaliação clínica pelas Zonas de Kramer ajuda na triagem, mas a confirmação laboratorial é necessária para decisões terapêuticas. O manejo adequado evita a encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), uma complicação grave e evitável. É fundamental orientar os pais sobre sinais de alerta e garantir o seguimento ambulatorial precoce após a alta hospitalar, especialmente em bebês que saem da maternidade antes de 48-72 horas de vida.
A icterícia é patológica se surgir nas primeiras 24 horas de vida, se os níveis de bilirrubina total subirem mais de 5 mg/dL por dia, se a bilirrubina direta for superior a 1 mg/dL (ou >20% da total), ou se persistir por mais de 14 dias em RNs a termo. Nesses casos, deve-se investigar hemólise (como incompatibilidade ABO/Rh), infecções ou doenças hepáticas. No caso clínico apresentado, o início após 24h e o bom estado geral sugerem causa fisiológica ou relacionada ao leite materno.
A icterícia do 'aleitamento materno' ocorre precocemente (primeira semana) por baixa ingestão calórica e desidratação, aumentando a circulação entero-hepática. A icterícia do 'leite materno' ocorre mais tardiamente (após a primeira semana) e deve-se a substâncias no leite que inibem a conjugação da bilirrubina. Em ambos os casos, a conduta é manter e incentivar a amamentação frequente, monitorando os níveis de bilirrubina.
A decisão baseia-se em gráficos de risco (como os da AAP ou do Ministério da Saúde) que consideram a idade em horas do RN, o nível de bilirrubina total e a presença de fatores de risco (prematuridade, doença hemolítica, asfixia). Para um RN a termo, saudável, com 72 horas de vida, um nível de 11 mg/dL está bem abaixo do limiar de tratamento, que geralmente começa acima de 15-18 mg/dL nessa faixa etária.
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