Icterícia Neonatal: Diagnóstico e Manejo da Incompatibilidade ABO

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2023

Enunciado

Recém-nascido a termo, parto normal, com 18 horas de vida, em bom estado geral, grupo sanguíneo A positivo, em aleitamento materno exclusivo, apresenta icterícia até a região do tronco. No prontuário materno há registro de gesta: 1 Para: 1, Aborto: 0, três consultas de pré-natal; tipagem sanguínea materna: O positivo; sorologias do último trimestre de gestação: negativas. Qual a conduta mais adequada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Hemograma, bilirrubinas, Coombs direto e suspender aleitamento materno.
  2. B) Hemograma, reticulócitos, bilirrubinas, Coombs direto e manter aleitamento materno.
  3. C) Hemograma, bilirrubinas, Coombs direto, ultrassonografia de abdome e suspender aleitamento materno.
  4. D) Hemograma, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e suspender aleitamento materno.
  5. E) Hemograma, reticulócitos, bilirrubinas, ultrassonografia de abdome e manter aleitamento materno.

Pérola Clínica

Icterícia RN <24h OU incompatibilidade ABO → sempre investigar e dosar bilirrubinas + Coombs direto.

Resumo-Chave

A icterícia que surge antes de 24 horas de vida é sempre considerada patológica e requer investigação imediata. A incompatibilidade ABO entre mãe (O) e RN (A ou B) é uma causa comum de icterícia hemolítica, necessitando de exames como Coombs direto para confirmar a sensibilização. O aleitamento materno deve ser mantido, salvo raras exceções.

Contexto Educacional

A icterícia neonatal é uma condição comum, afetando até 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. É crucial diferenciar a icterícia fisiológica da patológica, pois esta última pode levar à encefalopatia bilirrubínica (kernicterus), uma complicação neurológica grave e irreversível. A identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para prevenir sequelas. A fisiopatologia da icterícia neonatal envolve o aumento da produção de bilirrubina devido à maior massa eritrocitária e menor vida útil das hemácias fetais, além da imaturidade hepática para conjugação e excreção. A incompatibilidade ABO, como no caso de mãe O e RN A, é uma causa importante de icterícia hemolítica, onde anticorpos maternos atravessam a placenta e causam hemólise nos eritrócitos do feto/RN. O diagnóstico é feito pela dosagem de bilirrubinas, hemograma, reticulócitos e Coombs direto. O tratamento da icterícia neonatal varia conforme a etiologia, níveis de bilirrubina e idade gestacional/pós-natal do RN. A fototerapia é a principal intervenção, convertendo a bilirrubina não conjugada em isômeros hidrossolúveis que podem ser excretados. Em casos graves de hemólise, pode ser necessária a imunoglobulina intravenosa ou exsanguineotransfusão. O aleitamento materno deve ser incentivado e mantido, pois os benefícios superam os riscos da icterícia associada ao leite materno, que é um diagnóstico de exclusão.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de icterícia patológica em recém-nascidos?

Icterícia que surge nas primeiras 24 horas de vida, progressão rápida, bilirrubina total > 95º percentil para idade em horas, ou sinais de doença subjacente (letargia, má alimentação) indicam icterícia patológica.

Qual a conduta inicial para icterícia em RN com incompatibilidade ABO?

A conduta inicial inclui dosagem de bilirrubinas (total e frações), hemograma completo, reticulócitos e Coombs direto. O aleitamento materno deve ser mantido, e a necessidade de fototerapia ou outras intervenções é baseada nos níveis de bilirrubina e idade do RN.

Como diferenciar icterícia fisiológica de patológica?

A icterícia fisiológica geralmente aparece após 24 horas de vida, atinge pico entre 3-5 dias e regride espontaneamente. A icterícia patológica surge antes de 24 horas, é mais intensa, prolongada ou associada a outros sintomas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo