UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Recém-nascido a termo, não necessitou de manobras de reanimação e o APGAR foi nove e dez e pesou 3100g apresentou ao nascimento exame físico normal. Evoluiu com icterícia com 48 h de vida observada até zona 3 de Kramer. Mãe é do grupo sanguíneo O positivo e o recém-nascido do tipo sanguíneo A positivo. Não apresenta outras alterações clinicas. O recém-nascido está bem, amamentação exclusiva leite materno. Sobre este quadro clinico, qual o provável diagnostico e conduta:
Icterícia < 24h ou rápida progressão + mãe O / bebê A ou B → Incompatibilidade ABO, considerar fototerapia.
A icterícia que surge antes de 24-48 horas de vida, especialmente em casos de incompatibilidade ABO (mãe O, bebê A ou B), é considerada patológica e requer investigação e tratamento. A fototerapia é a conduta inicial para reduzir os níveis de bilirrubina e prevenir a neurotoxicidade.
A icterícia neonatal é uma condição comum, caracterizada pela coloração amarelada da pele e mucosas devido ao acúmulo de bilirrubina. Embora a icterícia fisiológica seja benigna e autolimitada, a icterícia patológica, especialmente quando precoce ou intensa, pode levar à hiperbilirrubinemia grave e kernicterus, uma encefalopatia bilirrubínica com sequelas neurológicas permanentes. A incompatibilidade ABO é uma das causas mais frequentes de icterícia patológica, ocorrendo quando a mãe é tipo sanguíneo O e o recém-nascido é tipo A ou B. Nesses casos, a mãe pode ter anticorpos anti-A ou anti-B (geralmente IgG) que atravessam a placenta e causam hemólise dos eritrócitos do bebê. A hemólise resulta em um aumento na produção de bilirrubina indireta, que o fígado imaturo do recém-nascido tem dificuldade em conjugar e excretar. A icterícia por incompatibilidade ABO tende a surgir precocemente (nas primeiras 24-48 horas) e pode progredir rapidamente, exigindo monitoramento e intervenção. O diagnóstico é feito pela história clínica, grupo sanguíneo materno e do RN, e teste de Coombs direto (embora possa ser negativo em até 50% dos casos de incompatibilidade ABO). A conduta principal é a fototerapia, que utiliza luz para converter a bilirrubina indireta em produtos hidrossolúveis que podem ser excretados. Em casos graves e refratários à fototerapia, a exsanguinotransfusão pode ser necessária para remover bilirrubina e anticorpos. O acompanhamento rigoroso dos níveis de bilirrubina é essencial para evitar complicações.
Sinais de alerta incluem icterícia que surge nas primeiras 24-48 horas de vida, rápida progressão, níveis elevados de bilirrubina, presença de palidez, hepatoesplenomegalia ou sinais de doença hemolítica.
Na incompatibilidade ABO, a mãe (geralmente tipo O) produz anticorpos anti-A ou anti-B que atravessam a placenta e atacam os glóbulos vermelhos do feto/RN (tipo A ou B), causando hemólise e liberação excessiva de bilirrubina.
A fototerapia é indicada com base nos níveis de bilirrubina sérica total, idade gestacional, idade pós-natal e presença de fatores de risco para neurotoxicidade, seguindo nomogramas específicos para decisão terapêutica.
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